São Paulo - O patrimônio aplicado em certificados de operações estruturadas (COEs) aumentou 22,9% em 2016, para R$ 9,464 bilhões, ante R$ 7,7 bilhões registrados em dezembro de 2015, segundo dados da Cetip.

Para este início de 2017, a expectativa é que o estoque do investimento supere a marca de R$ 10 bilhões e que mantenha o crescimento de dois dígitos no exercício.

"Agora que as taxas de juros estão recuando [queda da Selic] começa a ficar mais interessante investir em COE", diz o sócio-diretor e fundador da L&S Educação, Alexandre Wolwacz.

Segundo ele, em 2016, com juros prefixados entre 15% a 16% ao ano, não fazia muito sentido aplicar em COE por causa dos ganhos limitados. "Com a perspectiva de juros de 10% na renda fixa [para o horizonte de um ano], a possibilidade de ganhar entre 20% a 25% leva atratividade ao COE", argumenta.

Wolwacz explicou que o COE é um produto financeiro novo (criado em 2014) de captação bancária com a dinâmica de rentabilidade da renda variável e atributos de segurança da renda fixa.

"A pessoa empresta o dinheiro para o banco, e 90% desses investidores de COE preferem a modalidade de capital protegido. O produto é voltado para clientes de perfil moderado e agressivo, e na pior das hipóteses, ele recebe seu capital principal investido no final do prazo", detalhou o sócio-diretor.

Sobre os riscos, Wolwacz alertou que o investimento em COE não é coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). "Por isso, tem que fazer o COE com um banco de credibilidade. Não tem a cobertura do FGC de até R$ 250 mil", avisou. Em outras palavras, a recomendação é que os aplicadores fiquem restritos aos principais bancos e evitem o risco de instituições menores.

Especialistas consultados pelo DCI também sugerem que o COE é um produto para diversificação. "É um produto para colocar no portfólio, não se deve colocar todos os ovos na mesma cesta", aconselha Frederico Ferrari de Lima, superintendente executivo de investimentos do Bradesco.

O executivo explicou que o COE, com o capital principal preservado, é versátil e pode aproveitar ganhos na Bolsa de Valores e também com a queda dos juros. "O ticket de aporte no COE está mais acessível, em torno de R$ 20 mil", detalhou Lima sobre o perfil do público que procura pelo produto nas agências do Bradesco.

Mas diferente da liquidez das cotas de fundos, como o COE é um instrumento de captação bancária, o investidor deve estar atento para "carregar" a aplicação até o vencimento. Os prazos mais comuns são 180 dias e 360 dias.

Marcos Figueiredo, superintendente de produtos pessoa física do Santander, também sugeriu que o investidor interessado no COE deve buscar por estruturas simples até adquirir experiência no produto.

"Estruturas como COE de dólar ou de Ibovespa são de conhecimento do público, são muito simples [para o entendimento]. Quem faz uma posição em dólar pode ganhar com a queda da moeda, por exemplo. Se o Ibovespa subir pode ter uma parte da valorização, se cair, o capital está protegido", citou o superintendente do Santander sobre as possibilidades na aplicação.

Wolwacz exemplificou que se o aplicador fizer uma estrutura de COE para o Ibovespa, atualmente no patamar de 62 mil pontos poderá buscar um retorno, ou parte da valorização até os 74 mil pontos. "Num COE com viés altista de Ibovespa há um limite para o ganho, calculado no momento da contratação. O investidor participa da valorização até um determinado patamar nos 70 mil pontos, e depois há uma trava. Abre-se mão de parte da rentabilidade se a Bolsa subir mais, em compensação, não se perde o capital principal se houver queda", explicou.

Diversidade de estruturas

Wolwacz confirmou que os COEs mais procurados são de Ibovespa e de dólar, mas que os profissionais de mercado em bancos, gestoras ou corretoras também montam estruturas alternativas. "Há COEs de ações de empresas americanas como Apple, Google, Yahoo", exemplificou o sócio-diretor. "Mas ainda não se tem nem procura nem oferta de COEs de commodities como ouro ou petróleo", ponderou.

Ele contou que nos mercados desenvolvidos, onde os juros são muito baixos (em alguns países até negativos) há uma procura "enorme" por COE como forma de poupança. "É para diversificação", diz.