Finanças
23/08/2012 - 00h00 | Atualizado em 23/08/2012 - 00h50

Construtoras reagem na Bolsa depois de balanços realistas

SÃO PAULO - Depois de registrarem quedas expressivas na Bolsa de Valores entre março e julho, os papéis das construtoras reagiram em agosto e recuperaram boa parte das perdas do ano. O m

Ernani Fagundes

SÃO PAULO -  Depois de registrarem quedas expressivas na Bolsa de Valores entre março e julho, os papéis das construtoras reagiram em agosto e recuperaram boa parte das perdas do ano. O motivo, de acordo com analistas consultados pelo DCI, foi a divulgação de balanços realistas, que apresentaram, em geral, resultados positivos fracos ou prejuízos, mas também a redução de lançamentos pouco rentáveis e propostas de geração de caixa até que a economia volte a apresentar números robustos.

"Há sinais de recuperação da economia brasileira e mundial, mas ainda precisamos de muita cautela. A Bolsa e as companhias estão subindo com notícias pontuais", contextualizou Clodoir Vieira, da Souza Barros.

No fechamento de ontem do pregão da BM&FBovespa, a Brookfield foi a maior alta do dia, avançando 8,9% e reduzindo as perdas do ano para 8,6%. A construtora Gafisa, que cortou os lançamentos com a marca Tenda, mostrou recuperação de 63,08% em agosto, minimizando as perdas para 0,92% em 2012.

"O volume lançado avançou 18% em um trimestre, concentrados na marca Gafisa, e as vendas saltaram 54% no mesmo período, em que a Tenda voltou a apresentar vendas positivas, mesmo sem nenhum lançamento, por conta de expressiva diminuição dos distratos", argumentou o analista de construção civil da Coinvalores, Felipe Martins Silveira, que recomenda a manutenção do papel.

Quanto à Brookfield, a equipe de análise de Ricardo Correa da Ativa Corretora observou os resultados da construtora como negativo no segundo trimestre. "A Brookfield anunciou que só espera gerar caixa em 2014", alerta, em relatório sobre a companhia.

Outro dado negativo da Brookfield notado pela corretora é que a proposta de aumento de capital em R$ 400 milhões deve diluir a participação dos acionistas que não subscreverem a oferta.

Ante as altas de agosto, o analista René Brandt, do Banco Fator, informou que o preço-alvo e as recomendações para companhias do setor de construção civil estão em revisão na corretora.

Já a Ativa vê perspectiva de melhora gradual para a PDG Realty apesar do prejuízo bruto de R$ 85 milhões no segundo trimestre. "A recuperação ainda é incerta, o que deverá trazer bastante volatilidade aos papéis da companhia", afirma o relatório.

Ontem, no pregão, o papel da PDG Realty caiu 0,53%, acumulando perdas de 34,73% no ano, mesmo tendo recuperado 9,47% no mês de agosto.

Já entre as recomendações de compra da Coinvalores, Felipe Martins Silveira recomenda Rossi Residencial e MRV Engenharia enquanto destaca manutenção para os papéis da Cyrela.

No fechamento do mercado acionário, Rossi Residencial apresentou alta de 1,69%, acumulando valorização de 28,59% no ano. A MRV Engenharia avançou 0,17%, somando 11,27% no ano. Já Cyrela caiu 0,17%, mas com recuperação de 15,93% em agosto e de 14,13% no ano.

Sobre a Rossi, Silveira manteve a recomendação para investidores de médio e longo prazo. "O resultado da Rossi no trimestre foi ruim, abaixo de nossa expectativa. Mas nem todas as notícias relativas a ela foram negativas. O fator que mais impactou o resultado foi o cancelamento de onze projetos considerados de baixa rentabilidade", argumentou.

Quanto à MRV Engenharia, o analista viu resultados fracos nos balanços, mas com pontos positivos. "Mesmo tendo em vista o cenário mais complicado enfrentado pela companhia nos últimos trimestres, vemos descontos em suas ações e bom potencial de valorização", apontou Silveira, com preço alvo de R$ 17 para o papel, ante os atuais R$ 11,45 por ação.

Já sobre a Cyrela, o analista destacou que a companhia divulgou plano de recompra de ações, para até um total de 20,8 milhões de ações. "Continuamos a recomendar a manutenção dos papéis da companhia em carteiras diversificadas com foco no médio e longo prazo", sugeriu Silveira.

No quadro geral, as 22 empresas listadas na Bolsa apresentam recuo de quase 7% em 2012. Papéis de 14 companhias estão com sinal positivo e outras 8 com perdas em valor de mercado.

 

 

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