Finanças
27/08/2013 - 00h00

Dólar alto torna Bolsa atraente para investidores estrangeiros

SÃO PAULO - A alta de 4,83% da moeda americana em agosto e de 16,77% no ano para R$ 2,388 está contribuindo para a percepção de investidores estrangeiros de que alguns papéis brasileiros

Ernani Fagundes

SÃO PAULO

A alta de 4,83% da moeda americana em agosto e de 16,77% no ano para R$ 2,388 está contribuindo para a percepção de investidores estrangeiros de que alguns papéis brasileiros listados no índice Ibovespa da Bolsa de Valores de São Paulo estão atraentes no momento.

No mês até ontem, o Ibovespa apresenta alta de 6,62% para 51.429 pontos, puxado principalmente por compras dos clientes internacionais. Segundo dados da BM&FBovespa, o saldo positivo desse público está em R$ 2,14 bilhões, e no ano, em R$ 6,43 bilhões. "Não esperava por essa alta, mas reconheço que foi o investidor estrangeiro que provocou a alta recente, o mercado brasileiro continua entre os mais desafiadores entre os emergentes", avalia Hamilton Moreira Alves, estrategista da BB Investimentos, do Banco do Brasil.

Alves contou que o Ibovespa em dólar está trabalhando na faixa entre 21 mil e 22 mil pontos. Ao final de 2012, o índice em moeda americana estava em 29.827 pontos, pouco abaixo dos 30.255 pontos do final de 2011, mas bem abaixo da marca positiva de 41.594 pontos de 2010. "Os papéis voltados ao setor externo como a Embraer [+ 37,02% no ano] e commodities são beneficiados por esse efeito, mas existe um limite para essa alta, é o próprio risco cambial", diz Alves.

Até o final de julho, o Ibovespa em dólar havia caído 29,39%, enquanto o indicador em reais apresentava queda de 20,86%. Ontem no fechamento, o recuo anual do índice ficou em 15,62%. "A Bolsa brasileira é a que mais caiu no mundo. A entrada atual é positiva e câmbio beneficia os papéis de empresas como a Vale, de siderúrgicas e de papel e celulose, mas não é possível saber se isso é sustentável", diz o analista-chefe da SLW Corretora, Pedro Galdi.

De fato, entre os papéis que mais subiram no mês, estão CSN ON com alta de 33,18% para R$ 8,75, seguido por Gerdau PN que avançou 18,43% para R$ 17,28, Usiminas PNA que evoluiu 17,10% para R$ 10,20, e Metalúrgica Gerdau PN que cresceu 16,18% no período para R$ 21,18.

A mineradora Vale que possui dois papéis entre mais negociados da Bolsa brasileira também apresentou evolução de 15,73% na ação com direito a voto (ON) para R$ 35,90, e avanço de 14,38% no preferencial (PNA) a R$ 32,20.

No segmento de papel e celulose, o movimento é liderado por Suzano PNA que avançou 15,03% no mês e 27,49% no ano para R$ 8,95, seguido por Fibria ON que evoluiu 10% no mês e 23,79% no ano para R$ 27,94. Em menor ritmo, o papel Klabin PN subiu 6,31% para R$ 11,78. Ontem, no pregão, Suzano PNA (+ 0,90%) e Klabin PN (+ 0,59%) figuraram entre as cinco maiores altas do Ibovespa, que registrou recuo de 1,47% na sessão.

Quanto ao cenário para os próximos quatro meses que encerram o ano de 2013, Alves, da BB Investimentos diz que ainda há muita incerteza no mercado. "A incerteza afugenta a pessoa física, os volumes na Bolsa estão pequenos, mas se o Ibovespa passar de forma consistente os 52,4 mil pontos poderá chegar a 57,1 mil pontos. Se não sustentar a alta pode cair novamente aos 49 mil pontos, mas nossa previsão é que feche o ano em 55 mil pontos" prevê o estrategista do BB.

Como recomendação, o estrategista diz que o investidor deve ficar atento à evolução dos juros. "As taxas podem subir aqui no Brasil e lá fora, os títulos de 10 anos do Tesouro americano tendem a render 3,5% ao ano, o que trará mais volatilidade ao mercado, além do risco cambial para o investidor estrangeiro", alertou.

Ibovespa Futuro

Outra mudança importante que ocorreu em agosto foi a mudança de posição dos estrangeiros em derivativos de Ibovespa Futuro, antes a maior parte deles acreditava na baixa do índice e agora na alta, são 143 mil contratos de compra contra 128 mil de venda.


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