Finanças
18/05/2017 - 20h32 | Atualizado em 18/05/2017 - 20h32

Fintech cria aplicativo bancário para combater exclusão financeira no Complexo da Maré

Por meio da moeda virtual "palafita", clientes podem pagar boletos, fazer transferências e colocar crédito no celular

Tela do aplicativo desenvolvido pela fintech Banco Maré Digital
Tela do aplicativo desenvolvido pela fintech Banco Maré Digital
Foto: Divulgação

SÃO PAULO - A taxa de bancarização no Brasil, segundo a última pesquisa da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), de 2015, chegou a 89,6% da população com mais de 15 anos e CPF ativo. Pensando nas pessoas do Complexo da Maré (RJ) que não estão neste grupo, o analista de sistemas Alexander Albuquerque criou, em 2016, o Banco Maré Digital.

Para que a população do Maré pudesse pagar suas contas e fazer transferências bancárias com mais segurança, a fintech de Albuquerque criou um aplicativo móvel. "Os moradores do Complexo recebem os boletos via associação de moradores e têm que sair da comunidade para pagar, passando pela Avenida Brasil, uma das vias mais perigosas do Brasil", justifica Vitor Kneipp, diretor de negócios do Banco Maré Digital.

Atualmente disponível apenas para android, o aplicativo do Banco Maré Digital possibilita a seu usuário comprar recarga de celular, fazer transferência de dinheiro para outras contas e pagar boletos por meio de código de barras. A diferença, para os outros bancos, está na presença de uma moeda digital, a "palafita". O cadastro para pessoas físicas é gratuito.

Nomeada em homenagem às estruturas que sustentavam as casas na criação do Complexo, a palafita é adquirida em pontos físicos da fintech, dentro da comunidade. O cliente troca o dinheiro pelo cadastro da moeda virtual dentro da sua conta no aplicativo. O valor de um real é equivalente a uma palafita.

Com a moeda virtual dentro do aplicativo, o usuário pode transferir palafitas para outros usuários, sem cobrança de taxa, através de QR Code. "Foi a maneira que a gente fez de criar um caixa eletrônico acessível", conta Kneipp. Além dessa função, caso o cliente precise de reais, ele pode retornar aos pontos físicos e fazer a conversão.

"A palafita é 100% rastreável, você não consegue cometer nenhum crime financeiro com ela", garante Kneipp. A fintech, como ele conta, utiliza o sistema blockchain para assegurar os dados de seus clientes. Esse dispositivo, segundo ele, possibilita o Banco Maré automatizar o processo de fiscalização de transações, já que o processo de armazenamento é feito on-line e descentralizado.

Utilizar o sistema automatizado é uma forma de investir no atendimento dos clientes. "Nosso público, das classes C, D e E, não tem costume de ter esses serviços bancários, pagar a conta por celular não é algo intuitivo", afirma Kneipp. Para ele, quanto maior o foco nas demandas dos clientes, maior será a aceitação e confiança no aplicativo.

Perspectivas

Com 3.000 clientes, o Banco Maré quer ganhar escala. Apesar de não revelar quantos usuários pretende ter até o final do ano, por questões estratégicas de negócio, a fintech tem objetivo de aprender com seu serviço e melhorar a experiência dos moradores do Complexo.

Operando há 10 meses, a fintech, que já recebeu um investimento anjo, que também não foi divulgado, tem em mente monetizar a partir de parceria com empresas. Segundo Kneipp, caso bancos e operadoras de telecomunicação, por exemplo, decidirem atuar em conjunto com a startup, essas companhias economizariam com emissão de boletos e com cobrança dos usuários do Banco Maré Digital.

Matheus Riga

Assuntos relacionados:

finançasstartupsbanco maré digital
Imprimir
Publicidade

Especial

Especial Leilões & Negócios

Versão digital (23/05/2017)

Para assinantes Assine o jornal impresso e tenha acesso total à versão digital.
Versão digital do DCI
Clique e assine hoje mesmo
Publicidade

Nós curtimos

TVB Nova Brasil FM Rádio Central AM
Uma empresa do
© 2017. DCI Diário Comércio Indústria & Serviços. Todos os direitos reservados.