SÃO PAULO - Apesar do crescimento do número de investidores anjos no País e do potencial superior a R$ 1 bilhão do capital alocado nesse tipo de investimento, o ímpeto dos aportes está caindo. No total, 48% das pessoas físicas que apostam em startups relataram que sua decisão de investir está sendo afetada pela crise econômica. Elas não deixam de investir, mas alocam um capital menor que anteriormente.



Os dados foram divulgados por Cássio Spina, presidente da associação de investidores Anjos do Brasil, que realiza em São Paulo a quarta edição do Congresso de Investimento Anjo.



Em média, cada um dos 7.260 investidores anjos no Brasil tem intenção de investir R$ 234 mil nos próximos dois anos. Isso significa que o mercado tem potencial de R$ 1,7 bilhão. Na pesquisa anterior, realizada em 2014, a Associação apontou que existiam cerca de 6.300 investidores anjos no País. No entanto, a intenção de aporte deles era maior, gerando um potencial impacto de R$ 2,9 bilhões.



Segundo Spina, a meta da Associação continua sendo a de ter cada vez mais pessoas realizando esse tipo de investimento, mas a queda significativa do potencial desse mercado é preocupante. 



A Anjos do Brasil estima que o ano de 2015 terminou com R$ 784 milhões aplicados por meio de investidores anjos. Apesar do crescimento nos últimos anos, o número ainda é muito baixo se comparado com outros países. Spina citou os Estados Unidos, onde anjos investiram US$ 24 bilhões no ano passado, como um exemplo a ser seguido.



O presidente da Associação, porém, ressaltou que o número de investidores com esse perfil está crescendo. E eles estão investindo por mais tempo. O levantamento apontou que 64% dos anjos estão fazendo aportes há menos de dois anos e 80% pretendem, nos próximos dois anos, realizar ao menos dois novos aportes.



Perfil do investidor anjo



O levantamento apontou que grande parte dos anjos são empresários (42%) e executivos (31%). Além disso, 19% já investem em outros setores ou são gestores de investimentos. É um universo é majoritariamente masculino: 91% são homens.



A idade média das pessoas físicas que investem em startups é de 47 anos; 38% têm entre 45 e 54 anos, e 31%. de 35 a 44 anos. A maior parte (62%) investiu até R$ 100 mil, enquanto 23% aplicaram entre R$ 101 mil e R$ 499 mil.



O setor que essas pessoas mais procuram para investir é o da internet (52%), seguido por saúde (43%), educação (41%) e energia (36%).