O seguro de garantia estendida deve crescer cerca de 15% em 2018. Com uma maior intenção de consumo, mas ante à renda familiar ainda baixa, o brasileiro volta a atenção para a apólice como forma de garantir maior durabilidade dos produtos comprados.

De acordo com os últimos dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep), a garantia estendida geral teve um aumento nos prêmios de 5,6% em novembro de 2017, contra igual período do ano anterior, de R$ 212,8 milhões para R$ 224,6 milhões.

No acumulado de janeiro a novembro de 2017, a alta foi de 5,3% em comparação ao mesmo intervalo de 2016, de R$ 2,340 bilhões para um total de R$ 2,463 bilhões.

Segundo o diretor de produtos e marketing da Assurant, Rogério Guandalini, o crescimento vem atrelado não somente à maior intenção de consumo, mas também pela necessidade de aumentar o ciclo de vida do bem adquirido ante à renda familiar ainda baixa e a retomada gradativa da economia.

“O período de restrição no orçamento trouxe um mindset diferente. Agora, o ciclo de troca do produto adquirido é mais importante, já que a permanência com o bem é maior”, afirma o executivo.

O apelo do seguro para o consumidor se consolida tanto pela garantia estendida em si – com a troca ou o conserto do produto, se necessário –, como pelas assistências oferecidas, comenta a superintendente executiva de massificados do grupo BB&Mapfre, Patricia Siequeroli.

“Quando olhamos para a população de renda mais baixa, por exemplo, cujo preço do bem pode ser bastante relevante no orçamento familiar, a possibilidade de um retorno ou de um bem novo no caso de perda ou problemas, faz muita diferença”, explica a executiva.

“Ao mesmo tempo, nas classes A e B, a assistência que o produto oferece, com uma facilidade de ajuda em caso de problemas e segurança para o bem adquirido, tem apelo. Em compras cujo ciclo de vida é mais curto, esse seguro ganha uma forte representatividade”, complementa Siequeroli.

“Sorte no varejo”

Para este ano, por outro lado, os executivos consultados ponderam a necessidade de mais certezas nos âmbitos macroeconômico e político.

“A cobertura de garantia estendida caminha com a sorte do varejista e, mesmo baseando-se no crescimento benigno dos últimos meses, o otimismo ainda é moderado”, avalia o diretor de afinidades da Zurich, Luís Reis. Ele reforça, porém, que mesmo com a volatilidade esperada nas vendas, a Copa do Mundo deve trazer crescimentos maiores para o varejo e o “consumo consciente” do brasileiro deve persistir.

“A consciência do consumidor continua para todas as linhas atreladas ao consumo, principalmente, para aqueles voltados ao celular. O valor dos aparelhos tem crescido e pagar uma porcentagem do preço para evitar novos gastos, está entre as prioridades” diz.

Entre as coberturas disponíveis no mercado, o seguro de garantia estendida geral vai desde celulares até eletrodomésticos e eletroportáteis (microondas, liquidificador, etc.), nas linhas branca e marrom. O preço varia de 8% a 15% do valor do bem adquirido.

Além disso, outra vertente do produto é a garantia estendida auto que, também acompanhando a retomada na indústria de automóveis, subiu 88,4% em novembro de 2017 contra o mesmo mês de 2016, de R$ 2,719 milhões para R$ 5,123 milhões. No acumulado do ano até novembro, o aumento foi de 35,9% (de R$ 30,9 milhões para R$ 42,0 milhões).

A média dos sinistros ocorridos entre essas duas modalidades em novembro foi de R$ 31,2 milhões, valor 20,2% inferior ao registrado em igual mês de 2016 (R$ 39,1 milhões).

“A expectativa é mirar mais parcerias e acompanhar a volta do consumo e da confiança. Com o sinistro controlado, a expectativa é de um crescimento na casa dos 15% para 2018”, completa Guandalini.