São Paulo - A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) já entrou em contato com 14 potenciais compradores para a sua fatia na Light, dos quais 12 sinalizaram interesse, disse o diretor de Finanças e Relações com Investidores da estatal, Adézio de Almeida Lima.

Segundo ele, dentre os dois investidores restantes, um indicou que estudaria a operação e apenas um afirmou que, neste momento, a Light não seria foco da empresa.

Em teleconferência ontem, o executivo indicou que a venda da Light é prioritária e a Cemig está focada na operação. Segundo ele, nesta semana a empresa deve realizar um roadshow com possíveis compradores no País e semana que vem no exterior, "para ter uma avaliação sobre a firmeza desses interesses".

A Cemig passou a considerar a Light seu ativo "mais importante e relevante" colocado à venda, dentro da lista de desinvestimentos apresentada. Inicialmente, a companhia havia ofertado ao mercado apenas o braço de geração da Light, a Light Energia, mas dias depois, os acionistas controladores decidiram se desfazer de toda a fatia de 43% na empresa, incluindo também a distribuidora e outros serviços. Com isso, em vez de um ativo de R$ 530 milhões em valor patrimonial, passou-se a buscar um comprador para um ativo que vale mais de R$ 2 bilhões em valor de mercado.

Além da fatia da Cemig, a venda pode incluir a participação detida por bancos sócios da Cemig na Light por RME - Rio Minas Energia Participações e da Luce Empreendimentos e Participações SA (Lepsa). "Os bancos estão estudando", disse Lima.

Atualmente, esses bancos possuem uma opção de venda (PUT) de sua participação na Light contra a Cemig, opção que representa um desembolso futuro para a estatal mineira da ordem de R$ 1,6 bilhão no curto prazo, já que a PUT vence em novembro deste ano. Segundo Lima, a ideia é que a própria venda da participação da Cemig na Light gere dividendos que seriam direcionados para o pagamento da PUT.

Hidrelétrica

Lima conta ainda que a venda da participação da estatal na hidrelétrica Santo Antonio avançou ao longo do último mês e a companhia já está fechando o contrato de compra e venda, com vistas a buscar as autorizações necessárias junto ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para concluir a operação. Lima diz que essa é transação mais adiantada.

Em fato relevante na última sexta-feira, a Cemig indicou que o ativo estava em "negociação de contrato de compra e venda", alterando o status indicado em junho, de "proposta vinculante". A estatal informou, recentemente, uma proposta da chinesa State Power Investment Overseas (Spic) por sua participação na usina.

A também Cemig reiterou que segue buscando negociar com o governo federal uma solução que permita à estatal manter a operação de suas usinas Jaguara, São Simão, Miranda e Volta Grande, que tiveram suas concessões vencidas e que a União pretende relicitar em setembro.