SÃO PAULO - A indústria da construção civil continua sendo um ponto fora da curva na economia global, principalmente no Brasil com todas as obras pré-eventos e o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Empresas do mundo todo apostam suas fichas - e altas cifras - para participar de um dos maiores mercados de máquinas para construção. Entre elas, estão a italiana CaseNew Holland (CNH), braço da Fiat Industrial, a chinesa Zoomlion, a norte-americana Caterpillar e a brasileira Randon. A norte-americana John Deere, referência mundial em máquinas agrícolas, também anunciou neste mês sua entrada no setor de equipamentos para construção, investindo em unidade no País. Todas têm o mesmo objetivo: garantir uma fatia do bolo. Para isso, devem aportar em torno de R$ 2 bilhões no Brasil.



"Perspectivas futuras como as obras da Copa, Olimpíada e de infraestrutura nos levam a crer que esse mercado tende a um contínuo crescimento", afirmou ao DCI o diretor-comercial da New Holland, Marco Borba. De acordo com o executivo, há cinco anos, nenhuma empresa do setor imaginava o patamar em que o Brasil estaria hoje. Segundo Borba, em 2006, o mercado total de máquinas para construção não passava de 6 mil unidades, contra as quase 30 mil comercializadas em 2011.



O executivo lembra que a CNH anunciou, recentemente, um investimento de R$ 600 milhões para a construção de uma nova planta em Montes Claros (MG), que deve contemplar a produção das duas marcas do grupo, Case e New Holland. "Nossa fábrica de Contagem (MG) está no limite da capacidade. Não há mais condições de ser expandida", afirma o executivo. As duas unidades continuarão servindo aos dois selos, que competem entre si.



Assim como a New Holland, a Case possui sua própria rede de distribuição e estratégia de vendas. Porém, a base da produção é a mesma para ambos e deverá também ser compartilhada em Montes Claros. "Os volumes de produção dependerão do plano estratégico de cada selo", afirma o diretor-geral da Case para América Latina, Roque Reis. Ele ressalta ainda que a decisão da fábrica de Montes Claros foi baseada no crescimento contínuo do mercado, com cada marca do grupo participando com uma cota.



Hoje, a capacidade produtiva da planta de Contagem é de 10 mil unidades. Com a nova fábrica, esse número deve dobrar. Segundo o executivo da Case, em 2011 a CNH produziu cerca de 8 mil máquinas, das quais cerca de 55% são da Case e 45% da New Holland. Para 2012, os dois fabricantes esperam uma certa estabilidade do mercado. "O primeiro trimestre ficou abaixo de nossas expectativas. Esperamos que no próximo consigamos recuperar as perspectivas iniciais", afirma Borba. Para Reis, 2012 deve ser similar ao ano passado. "Esperávamos crescimento quando projetamos as vendas para este ano. Com a desaceleração da economia, acreditamos que o mercado deva ficar nas mesmas proporções de 2011", ressalta.



Para a brasileira Randon, de Caxias do Sul (RS), 2012 deve ser de crescimento da produção de máquinas para construção. A empresa comercializou cerca de 720 equipamentos em 2011 e, para este ano, a expectativa é de 980 unidades comercializadas, alta de 36% na comparação com o ano passado. O faturamento desse segmento da Randon deve chegar a R$ 192 milhões.



"Temos registrado um crescimento significativo no setor. Queremos ter mais força ainda nesse mercado", afirma o diretor executivo de Implementos e Veículos da Randon, Norberto José Fabris. Nos últimos 15 anos, a empresa tem crescido em torno de 18% ao ano, o que engloba o segmento de máquinas para construção. Fabris ressalta que o programa de investimentos para os próximos cinco anos, de R$ 2,5 bilhões, também inclui esse foco. "Esperamos um crescimento mais acelerado no segundo semestre", afirma.



A norte-americana Caterpillar informou que, em 2011, exportou US$ 1,8 bilhão em equipamentos produzidos em solo brasileiro. E para aumentar essa capacidade, a empresa investirá R$ 350 milhões no País. Deste montante, R$ 180 milhões serão usados na expansão da planta de Piracicaba (SP) e R$ 170 milhões na recém-inaugurada fábrica de Campo Largo (PA).



Além das empresas que já produzem em solo nacional, novos entrantes prometem chegar ao País com produtos e preços diferenciados. É o caso da chinesa Zoomlion, que conta os dias para aportar sua produção no País. "Ainda estamos em fase de negociações para escolher o local da fábrica", afirma o diretor da Divisão de Equipamentos e Concreto da Brasil Máquinas de Construção (BMC), Marcelo Antonelli Silva. A empresa brasileira deve entrar como sócia (30%) na joint venture com a Zoomlion. A BMC também é sócia da Hyundai Heavy Industries, que no final do ano passado anunciou a sua chegada no Brasil. A parceria é de 25% da BMC e o restante da asiática. A planta da Hyundai demandou investimentos de R$ 150 milhões. Para a Zoomlion, Silva afirma que o investimento pode chegar a US$ 150 milhões. "Nossa preferência para levantar uma planta é o estado de São Paulo em razão da localização, mas estamos em negociações com o Rio e com Minas Gerais", diz Silva.



Em 5 anos, a Zoomlion espera abocanhar nada menos que um quarto do segmento de mercado que atua, o de concreto. Para realizar tal façanha, os executivos se apoiam no faturamento global da companhia, que em 2011 chegou a US$ 19 bilhões, um dos maiores do mundo nesse setor. Porém, a competição não deve ser tão fácil.



"A partir do momento que novos entrantes - principalmente os asiáticos , que têm preços bastante competitivos - passarem a produzir localmente, eles enfrentarão as mesmas condições que nós", destaca o executivo da New Holland. "Eu prefiro essas empresas produzindo aqui", completa Borba. O diretor da Case compartilha da mesma posição: "Eles vão jogar o mesmo jogo que nós", diz Reis. "Se essas empresas se instalarem aqui, nas mesmas condições, vamos à luta. Não temos medo de ninguém", diz, taxativo, o executivo da Randon.