As vendas de papelão ondulado cresceram 3,91% em dezembro na comparação com o mesmo mês no ano anterior, a 275,9 mil toneladas. Para economistas, o resultado indica uma recuperação da demanda, mas ainda é preciso tomar cuidado com a fragilidade dos números positivos.

Como as fábricas encomendam o papelão para caixas, rolos, chapas e embalagens de acordo com suas expectativas de produção, a mercadoria é vista como um bom termômetro do aquecimento da economia. Deste modo, o dado divulgado nesta quinta-feira (11) pela Associação Brasileira de Papelão Ondulado (ABPO), o melhor para o mês de dezembro na métrica anual desde 2009, poderia ser considerado um sinal positivo de que as indústrias estão voltando a encomendar para fazer frente à demanda dos consumidores.

Contudo, embora tenha ocorrido avanço na comparação anual, as vendas de papelão ondulado registraram queda de 10,42% sobre novembro.

O economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Rafael Cagnin, ressalta que embora a retomada seja inegável, é sintomático que os indicadores mais positivos sejam justamente aqueles que possuem uma base muito deprimida dos piores anos da crise. “A reação existe, como mostram os dados de papelão, mas a intercalação de resultados positivos e negativos mostra que só a partir do processo eleitoral algum nível de capacidade do setor produtivo será ocupada”, afirma.

Na opinião de Cagnin, só será possível falar em recuperação forte e consistente da economia quando for verificada aceleração nos dados. “Pode até haver uma sequência de resultados, mas a alta tem que ser acelerada”, defende.

Cagnin avalia ainda que a indústria enfrentará alguns obstáculos este ano antes de conseguir engatar uma recuperação até os níveis pré-crise. “A incerteza no quadro político é a principal pedra no sapato, assim como a capacidade ociosa ainda elevada.”