Direto da China Adriane Castilho Editora de Abertura
19/09/2017 - 13h38

Indústria aeroespacial chinesa busca parceiros na América Latina

CGWIC já tem clientes na região e quer sócios para sistema global de satélites

O vice-presidente executivo da CGWIC, Fu Zhiheng
O vice-presidente executivo da CGWIC, Fu Zhiheng
Foto: Adriane Castilho/DCI

BEIJING - A China Great Wall Industry Corporation (CGWIC), companhia chinesa dedicada à indústria aeroespacial, busca parceiros na América Latina para um projeto global de satélites, disse o gerente geral adjunto da divisão da companhia para a América Latina, Chen Kai.

"Estamos trabalhando em um sistema global de estações que serve para coleta e aplicações de dados de satélites. Estamos buscando sócios na América Latina para que seja algo de cooperação comercial, para melhorar a eficiência das informações que colhemos e para oferecer mais dados aos sócios da América Latina", afirmou o executivo na semana passada, em entrevista a um grupo de jornalistas da região reunidos em Beijing.

Criada em 1980, a CGWIC é parte do conglomerado estatal China Aerospace Science and Technology Corporation (CASC). A companhia faz satélites utilizados em comunicação, em sensoriamento remoto e em sistemas de navegação como o BeiDou, equivalente chinês do Geo Positioning System (GPS). Também desenvolve foguetes de longa marcha para o lançamento dos satélites de seus clientes e se encarrega desde os serviços de transporte dos dispositivos até seu posicionamento em órbita e manutenção.

A lista de aplicações derivadas do uso de satélites inclui coleta e processamento de dados meteorológicos, acesso à internet em banda larga, TV de alta definição, educação a distância, monitoramento de recursos naturais e meio ambiente, entre outras.

Na América Latina, a CGWIC já desenvolveu projetos com Brasil, Argentina, Equador, Venezuela e Bolívia. Com o Brasil, lançou em 1999, a partir da base de Taiyuan, o satélite CBERS-1, em cooperação com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e com a Chinese Academy for Space Technology (CAST). A partir de então, lançou os CBERS 2, 2B, 3 e 4.

Em 2013, uma falha no terceiro estágio do foguete lançador acabou levando à perda do CBERS-3. O programa prosseguiu, porém, com o lançamento do CBERS-4 em dezembro de 2014. Segundo a Agência Espacial Brasileira (AEB), os dados coletados pelo CBERS-4 têm aplicações em monitoramento ambiental e agrícola e também no planejamento urbano.

O 4A, último da série, está em produção e tem lançamento estimado "ao redor de 2019", disse o vice-presidente executivo da CGWIC, Fu Zhiheng. A produção do satélite e do veículo lançador está em andamento, afirmou o executivo. O projeto é conduzido pelo Inpe e pela CASC, empresa mãe da CGWIC. "Cada lado entra com metade do trabalho", disse.

Fu disse que, em 2016, o número de lançamentos conduzidos pela CGWIC foi equivalente ao registrado nos Estados Unidos. Outro marco do programa espacial chinês no ano passado foi ter mantido uma tripulação de astronautas por 30 dias no espaço. A China lançou sua primeira missão tripulada ao espaço há mais de dez anos, em 2003.

O projeto mais ambicioso do programa chinês é manter uma estação espacial permanente. A primeira, lançada em 2011, foi substituída em 2016 por uma segunda versão e deve reentrar na atmosfera terrestre ainda em 2017 - espera-se que o artefato se desintegre antes de atingir a superfície. Caso a segunda versão chinesa se consolide, poderá ser a única em órbita a partir de 2022, quando a atual estação espacial internacional deverá encerrar seu ciclo.

O objetivo da estação espacial chinesa é promover a pesquisa científica e a cooperação internacional, afirmou o vice-presidente da CGWIC. "A China já anunciou que quer cooperar não só com países poderosos no setor aeroespacial, como EUA e Europa, mas também com os emergentes nessa indústria", disse Fu. Uma das áreas de pesquisa é a de novos materiais, citou como exemplo.

(A jornalista viajou a convite da Associação de Diplomacia Pública da China)  

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