Por Doina Chiacu e James Oliphant

WASHINGTON (Reuters) - Diante da condenação enfática nos Estados Unidos e no exterior, o presidente norte-americano, Donald Trump, negou nesta sexta-feira que tenha usado a palavra “merda” para descrever o Haiti e países africanos, mas manteve as críticas ao projeto imigratório do Senado que, segundo ele, obrigaria os EUA a aceitarem pessoas de países que “estão se saindo mal”.

Trump supostamente fez os comentários numa reunião na Casa Branca sobre imigração na quinta-feira. O senador democrata Dick Durbin, presente no encontro, disse à imprensa nesta sexta que o presidente havia usado linguagem “vil, vulgar”, incluindo de forma repetida a palavra “merda” quando falava sobre países africanos.

Os comentários do presidente republicano foram denunciados como racistas por políticos africanos e haitianos, pelo escritório de direitos humanos das Nações Unidas e por parlamentares dos dois principais partidos norte-americanos.

Trump, que tem sido acusado de racismo por conta de outros episódios desde que assumiu o poder há um ano, buscou se distanciar dos comentários nesta sexta, dizendo no Twitter: “A linguagem usada por mim na reunião da Daca (Ação Diferida para Chegadas de Crianças) foi dura, mas essa não foi a linguagem usada”.

Trump também negou haver dito “qualquer coisa depreciativa sobre os haitianos, além de que o Haiti é, obviamente, um país muito pobre e problemático”.

De acordo com duas fontes, na reunião de quinta-feira Trump questionou por que os EUA aceitariam imigrantes do Haiti e de países africanos, se referindo a alguns como “países de merda”.

Enquanto muitos parlamentares republicanos permaneceram quietos diante dos comentários de Trump, o presidente da Câmara dos Deputados, Paul Ryan, chamou as declarações de “infelizes” e “prejudiciais”, notando em entrevista à CNN que a sua família havia ido da Irlanda para os EUA para ajudar na construção das ferrovias norte-americanas.

Num evento nesta sexta na Casa Branca, Trump homenageou a memória de Martin Luther King Jr, o líder do movimento dos direitos civis morto em 1968.

Trump permaneceu do lado de Newton Farris, sobrinho de King. Um grupo de cerca de 20 simpatizantes e membros do governo afroamericanos também estava presente. Trump ignorou as perguntas dos jornalistas sobre os seus comentários.

Um grupo de senadores republicanos e democratas trabalha há meses para formular uma legislação para favorecer 700 mil jovens adultos que foram trazidos para o país ilegalmente quando crianças e posteriormente protegidos da deportação pelo programa conhecido como Daca.