21/07/09 - 12:09 > SAÚDE

Empresa desenvolve modelo de gestão para operadoras de saúde


Agência Sebrae
RIO DE JANEIRO - Exames desnecessários, fraudes e equipamentos médicos que rapidamente se tornam obsoletos são alguns dos problemas das empresas seguradoras de saúde. As dificuldades produzidas pela ausência de um padrão de acompanhamento para antever e detectar os problemas agravam este quadro.

A empresa carioca Mathic, usando a inteligência da computação e fórmulas matemáticas, está trabalhando no desenvolvimento de modelos inéditos que possam reduzir os custos das empresas e, dessa forma, aumentar os serviços oferecidos aos usuários.

“Os gastos assistenciais e operacionais das empresas de saúde chegam a 96%. Isso significa que para cada R$ 1 real que entra, saem R$ 0,96 centavos. A redução poderia ser significativa se fossem adotados modelos de gestão adequados à área”, explica um dos sócios da empresa, Mauro Penha Bastos, formado em Matemática, Administração de empresas e mestre em Ciência da Computação.

Processos administrativos inadequados e o grande número de usuários dos planos de saúde dificultam o acompanhamento. Mauro Bastos argumenta que, com a adoção de indicadores médicos mais precisos, seria possível perceber se está havendo abuso ou engano nos procedimentos.

Com o produto chamado ‘Portal Gerencial’, o sistema poderia gerar dados em tempo real para as operadoras. Isso impediria, por exemplo, que várias pessoas usassem o plano de um único usuário, que houvesse pedidos de exames médicos em grande quantidade e que os hospitais registrassem internações ou intervenções desnecessárias.

Outra vantagem deste produto é adotar indicadores de saúde. Dessa forma, seria possível detectar se todos os pedidos atendem a necessidades reais. “Muitas vezes, são feitos exames com equipamentos sofisticados, ao invés de cruzar informações para se chegar a um diagnóstico preciso. O sistema atual é quase um cheque em branco das operadoras de saúde”, diz Bastos.

A informação também é vital para acompanhamento de doentes crônicos ou idosos. Com o ‘Health Risk’, o modelo permite fazer uma triagem de gastos repetidos e a metodologia que é usada para acompanhar estes pacientes. Bastos diz que o modelo se sustenta principalmente na possibilidade de antever a evolução do quadro e, dessa forma, controlar os custos financeiros.

A Mathic, empresa incubada do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós- Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), planeja ampliar a oferta de soluções para outras áreas. Na avaliação de Bastos e do sócio, o administrador de empresas César Baltazar Bastos, mais do que focar no aspecto operacional, a gestão é o ponto crucial de uma boa administração porque permite uma visão estratégica.

“Acompanhando a evolução da vida de seus clientes, muitas empresas poderiam detectar novas necessidades. Ao saber, por exemplo, de mudanças como um casamento, o nascimento de um filho ou a compra de uma casa, a empresa teria em mãos novas variáveis para atender ao desejo do momento. Isso pode significar tanto a concessão de linhas especiais de financiamento para compra de eletrodomésticos ou a oferta de um plano de saúde familiar em condições mais vantajosas. As aplicações do nosso modelo são inúmeras porque ele consolida dados que estão dispersos. Isso é inteligência de mercado”, avalia Bastos.


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