13/05/10 - 00:00 > BOLSA DE VALORES
BM&F Bovespa prevê reduzir as despesas em 10% este ano


Eduardo PuccioniAgência Estado
SÃO PAULO - A Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (BM&F Bovespa) anunciou ontem uma possível redução de despesas e investimentos. "Devemos discutir com o conselho a revisão das despesas de 2010, que pode chegar a uma redução em torno de 5%. Isso será decidido em junho deste ano. Já no capex - despesas para investimentos - a estimativa de redução é de 10%", disse Edemir Pinto, presidente da instituição.
No final de 2009, a companhia divulgou orçamento para 2010 que contemplava despesas da ordem de R$ 550 milhões e, também contemplava investimentos da ordem de R$ 300 milhões. "Justificamos que era alinhamento da nossa companhia, principalmente para sua expansão global, por conta de retomada do mercado e da economia brasileira", acrescentou Edemir.
O executivo mostrou-se otimista quanto aos resultados obtidos pela companhia no primeiro trimestre deste ano. "O que posso adiantar em relação a esse orçamento, no quesito de despesa e de investimento, é uma boa notícia, ou seja, conseguimos um ganho de eficiência. Outro ponto que temos de destacar é que estamos mantendo todos os investimentos previstos para 2010. Estamos com todos os projetos orçados."
Para compensar as boas notícias, a bolsa anunciou que a parceria com a CME Group ainda não saiu do papel: falta a assinatura dos contratos; com isso, as despesas serão repassadas para o outro trimestre. "Alguns projetos não dependem exclusivamente da companhia, dependemos de terceiros, então tivemos três projetos cuja velocidade de implantação não aconteceu na velocidade prevista, e, com isso, algum impacto nas despesas de investimentos vai ser redistribuído durante os próximos trimestres", explicou Edemir.
Entre os projetos que não foram implementados dentro da velocidade previsto, primeiro estão os contratos com a CME, que já foram aprovados em Assembléia. Segundo Pinto, a tecnologia já está implementada no projeto. "São três grandes contratos que contemplam a transferência de propriedade intelectual do sistema, que envolve muitos advogados. Nossa previsão era terminar até o final do primeiro trimestre e acabaram sendo prorrogados para o segundo trimestre", diz ele.
Outro investimento é no data center da bolsa. A compra do terreno, também prevista para o fim de março, não ocorreu, mas, segundo o presidente da bolsa, "está prestes a acontecer". Grande parte dos investimentos para 2010 é na área de tecnologia.
Os problemas técnicos que ocorreram nas bolsas dos Estados Unidos e provocaram forte queda nos mercados mundiais na semana passada jamais ocorreriam no Brasil, afirmou Edemir. A razão destacada pelo executivo da instituição é que o sistema brasileiro de negociação de ações é muito diferente do americano. Lá, o sistema não é vertical e integrado como o do Brasil. Há uma companhia independente que faz a contraparte das operações, como o clearing e a custódia. "Cada um desses sistemas tem mecanismos de negociação diferenciados. Aqui, isso é integrado", diz. Na avaliação dele, é um sistema muito fragmentado. "Você tem mais concorrência, mas o sistema fica mais exposto."
Outra diferença apontada por Edemir é no mecanismo para prevenir excesso de volatilidade na ação que a Bolsa de Nova York (NYSE) adota. "O que ocorreu lá jamais ocorreria aqui. Nosso sistema impede essa queda da forma como se deu em Wall Street."
No mercado brasileiro, cada papel tem um limite de operação. Quando um preço de negociação fica acima desse limite, a negociação é parada imediatamente e levada a leilão. "Bloqueamos a negociação e o diretor de operações chama esse negócio para um leilão", explicou o presidente da BM&F Bovespa.
Balanço BM&F Bovespa
A bolsa anunciou na última terça-feira, depois do fechamento do mercado, seus resultados financeiros referentes ao primeiro trimestre de 2010. O lucro líquido ajustado - corrigido por itens sem impacto de caixa - da companhia foi de R$ 403,2 milhões, um crescimento de 64,1% se comparado a igual período do ano passado, quando a bolsa havia registrado R$ 245,8 milhões.
O lucro líquido societário foi de R$ 282,6 milhões no primeiro trimestre, contra R$ 227 milhões do mesmo período do ano passado, correspondendo a uma elevação de 24,5% no comparativo.
O Ebitda (lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortizações) subiu 89,3% do primeiro trimestre de 2009 para o mesmo período deste ano, saindo de um resultado de R$ 176,7 milhões para R$ 334,6 milhões.
A receita operacional líquida nos três primeiros meses de 2010 foi de R$ 459,1 milhões, contra R$ 316,5 milhões referente a igual período do ano passado, que representa uma alta de 45%. Já as despesas operacionais caíram 8,2%, ficando em R$ 136 milhões.

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