BOTTICINO - O papa Bento XVI reiterou nesta domingo (8) -- em sua visita pastoral a Brescia e Concesio, norte da Itália -- a necessidade de uma Igreja livre e pobre, uma Igreja que precisa dialogar com o mundo moderno para enfrentar os problemas da atualidade.
"Essa relação é absolutamente central" para responder aos desafios do terceiro milênio, considerou o Pontífice, que realiza sua 20ª viagem apostólica na Itália, na qual homenageia seu antecessor Paulo VI.
Uma Igreja "pobre e livre", assim "deve ser a comunidade eclesiástica para conseguir falar à humanidade contemporânea" a enfrentar os problemas da atualidade, a crise econômica, a imigração, a educação da juventude", continuou o Papa em sua homilia.
"O encontro e o diálogo da Igreja com a humanidade deste nosso tempo estavam particularmente no coração de Giovanni Battista Montini [nome de batismo do papa Paulo VI], em todas as etapas de sua vida, desde os primeiros anos de sacerdócio até o pontificado", disse Bento XVI, que recordou ainda a primeira encíclica de seu antecessor, "Ecclesiam suam", de 1964.
Em sua primeira encíclica, Paulo VI explica a importância da Igreja para a salvação da humanidade e, ao mesmo tempo, a necessidade de estabelecer uma relação mútua de conhecimento e amor entre comunidade eclesial e sociedade. "Que dom inestimável para a Igreja a lição" deste servo de Deus, continuou Joseph Ratzinger.
Neste ano, em sua terceira carta apostólica, "Caritas in Veritate", Bento XVI também se referiu a Paulo VI, por meio de uma releitura da encíclica Populorum Progressio, publicada em 1967. No documento, Montini falava de problemas da época -- como a fome, a miséria e as consequências do capitalismo -- e advertia para a necessidade de Deus para o desenvolvimento humano.
Mesmo com as chuvas, que atingiam a região da Lombardia na manhã deste domingo, centenas de fiéis e religiosos acompanharam a peregrinação do Pontífice.
Na primeira etapa da viagem -- à igreja paroquial de Botticino Sera, onde previa-se que o Papa venerasse os restos mortais de Santo Arcangelo Tadini --, ele acabou saindo de seu programa ao cumprimentar e agradecer aos fiéis por comparecerem, mesmo com o mau tempo.
"É uma emoção indescritível, eu nunca pensei que o Papa viria a uma cidade tão pequena como a nossa. Um local onde um padre se tornou um santo", disse a irmã Pierina, da Congregação das Irmãs Operárias da Santa Casa de Nazaré, organizacao fundada em 1900 pelo padre Arcangelo Tadini, que foi canonizado em 2008.
A entidade de irmãs operárias é voltada à promoção do trabalho e da justiça social. Atualmente, realiza atividades missionárias na África, Europa e América Latina. No Brasil, as freiras atuam em São Paulo, Minas Gerais e Bahia.
"Agradeço ao Papa por seu grande testemunho de fé e pela celebração tão afetuosa à figura de Paulo VI", disse o presidente (governador) da região da Lombardia, Roberto Formigoni, por sua vez.
O Pontífice chegou ao aeroporto militar Tenente Alfredo Fusco, localizado em Ghedi, na província de Brescia, pouco antes das 9h30 locais (6h30 no horário de Brasília). Seu primeiro compromisso foi a visita à igreja de Botticino Sera.
De lá, fez uma parada na Piazza della Loggia, onde homenageou as vítimas do massacre de 28 de maio de 1974, dia em que uma bomba explodiu contra uma manifestação antifascistas.
Depois da homilia, Bento XVI recitou o Angelus na Praça Paulo VI. Pela tarde, ele visitou a casa natal de seu antecessor, já em Concesio. Às 17h30, o Papa tinha um encontro oficial no Auditorium Vittorio Montini do Instituto Paulo VI.
Depois, após visitar a paróquia Santo Antonino em Concesio, na qual foi batizado Giovanni Battista Montini, o Pontífic retorna a Roma.