A grande novidade é a possibilidade de usar um software sem que ele esteja instalado no computador do próprio usuário.
Uma recente pesquisa da International Data Corporation (IDC) apontou que a venda de servidores para cloud computing (que pode ser traduzida para o português como "computação em nuvem") crescerá quase 60% até 2014.
O número demonstra o potencial de expansão dessa plataforma, que apresenta o que é considerado uma das grandes evoluções do setor de tecnologia da informação.
No final do ano passado, as empresas EMC, VMware e Cisco anunciaram a formação da joint venture Acadia para ofertar ao mercado soluções no modelo de cloud computing.
Depois da união entre Microsoft e Hewlett-Packard, analistas afirmam que outras parcerias devem ser costuradas nesse segmento, já que para estarem na nuvem os fornecedores precisam prover um leque variado de produtos e serviços a seus clientes.
A grande novidade trazida pelo cloud computing é a possibilidade de utilização de um software sem que ele esteja instalado no computador do próprio usuário.
Essa possibilidade torna o trabalho corporativo e o compartilhamento de arquivos mais dinâmicos, uma vez que todas as informações se encontram no mesmo "lugar", ou seja, na "nuvem computacional", podendo ser acessadas de qualquer parte.
Um exemplo prático desta nova tecnologia são as contas de e-mail baseadas na web - Hotmail, Gmail, Yahoo, entre outras - que guardam todas as informações de mensagens recebidas independentemente do local de acesso, diferentemente do Outlook.
Dessa forma, passa a haver também uma mudança no modo como os usuários utilizam os recursos.
Há um melhor controle, por exemplo, de gastos ao usar aplicativos, pois a maioria dos sistemas de computação em nuvem fornece aplicações gratuitas, e, quando não, tarifadas somente pelo tempo de utilização.
Este conceito é conhecido como Software as a Service (SAAS) ou, em bom português, Software como Serviço.
Em sua essência, trata-se de uma forma de trabalho em que o software é oferecido como serviço, e assim o usuário não precisa adquirir licenças de uso para instalação ou mesmo comprar computadores ou servidores para executá-lo.
Nessa modalidade, que vem ganhando espaço crescente no mercado, no máximo paga-se um valor periódico pelos recursos utilizados ou pelo tempo de uso.
De uma forma prática, podemos entender essa tecnologia como uma evolução da terceirização na área de tecnologia da informação, já que a maioria das empresas não tem como atividade principal a gestão de TI, de forma que torna coerente a contratação de uma plataforma externa robusta para apoiar processos utilizados nas companhias.
Entre esses processos podemos enumerar itens como gestão empresarial, pagamentos e recebimentos, banco de dados, desenvolvimento de produtos (como renderização de vídeos, computer-aided design -CAD etc.), o apoio a serviços (business intelligence -BI, processamento de dados etc.) e demais.
Aplicativos como editores de texto, planilhas eletrônicas, apresentações ou softwares de CRM (Customer Relationship Management) já estão migrando para esta plataforma.
A vantagem se apresenta até mesmo para as empresas de tecnologia de informação.
Como afirma Clifton Ashley, diretor do Google para a América Latina, "as organizações de tecnologia da informação gastam hoje 80% de seu tempo com a manutenção de sistemas, e não é seu objetivo de negócio manter dados e aplicativos em operação. É dinheiro jogado fora, o que é inaceitável nos dias de hoje".
Dessa forma, se utilizada corretamente, a tecnologia da informação passa a ser efetivamente uma ferramenta de suporte ao negócio.
Em outras palavras, o foco do cliente é a informação, não a forma como essa informação é mantida e processada.
Outra grande vantagem desta tecnologia que ficou conhecida como computação em nuvem é a flexibilidade.
Caso a empresa precise de mais processamento ou armazenamento, basta fazer um upgrade imediato de capacidade, não havendo necessidade de fazer a troca de componentes ou de equipamentos.
Upgrades de software (programa de computador) também podem ser feitos imediatamente, dispensando, dessa maneira, o processo de reinstalação do produto nas máquinas de cada usuário.
Nas empresas, os beneficiados serão os setores em que se consomem grandes recursos computacionais, como CAA (Computer Add Design).
Entretanto, é preciso relembrar que nem só vantagens são oferecidas pela cloud computing.
O grande calcanhar-de-aquiles dessa tecnologia é ainda a segurança, já que os dados ficam on-line o tempo todo.
E não se pode esquecer que a ideia de que "tudo é de todos e ninguém é de ninguém" nem sempre é algo bem-visto quando se trata de informações sigilosas.
Investir em segurança no armazenamento dessas informações é fundamental para o sucesso da plataforma.
Também é motivo de preocupação a oscilação nas conexões com a internet.
Uma vez que as informações são todas mantidas on-line, torna-se um grande problema a queda de conexão com a rede.
Uma ideia ainda em evolução, que pode resolver parte desta fraqueza do cloud computing, seria a sincronização on- e off-line.