12/07/07 - 00:00 > AGRONEGÓCIOS

Exportação de couro supera US$ 1 bilhão no 1º semestre


Luiz Silveira
De subproduto, o couro está se tornando um dos mais importantes itens da produção pecuária, devido ao crescimento nas exportações. No primeiro semestre deste ano, os embarques de couro totalizaram US$ 1,12 bilhão, o equivalente a cerca de 50% das exportações de carne, que no mesmo período atingiram US$ 2,2 bilhões. O crescimento nos embarques de couros é de 30% sobre o mesmo período de 2006.

O aumento da demanda asiática, os baixos custos de produção do boi no Brasil e o aumento do valor agregado ao produto estão alavancando os embarques e atraindo novos investimentos. Para ganhar mais com os couros, o frigorífico Marfrig está investindo na construção de um curtume com capacidade para três mil peles por dia em Bataguassu (MS), onde já tem um abatedouro.

A Vitapelli, que possui a maior planta industrial de acabamento de couro do mundo, investiu mais de US$ 30 milhões nos últimos três anos para fugir da comercialização do wet blue, o couro em seu primeiro estágio de tratamento e de menor valor agregado. "Estamos utilizando nossa capacidade máxima, de 15 mil peles por dia, toda voltada à produção de couro acabado ou semi-acabado", conta o diretor presidente da empresa de Presidente Prudente (SP), Nilson Riga Vitale.

Vendendo couros mais caros, Vitale espera ampliar em 30% as exportações este ano, superando os US$ 200 milhões. Ele explica que consegue comprar o couro por um preço menor que os seus concorrentes asiáticos ou europeus, o que abriu novos mercados para seu produto.

O diretor executivo do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), Luiz Augusto Bittencourt, explica que a substituição do couro por materiais sintéticos na indústria de calçados obrigou o setor a buscar novos mercados, como o moveleiro e o automotivo - justamente os principais focos da Vitapelli. "A indústria automotiva já é o destino de 60% das exportações brasileiras de couro", estima.

A expectativa do CICB é que as exportações de couro passem dos US$ 2,3 bilhões este ano, ante o US$ 1,878 bilhão do ano passado. O valor de 2006 superou as exportações de calçados, que totalizaram US$ 1,854 bilhão.

A força asiática

O frigorífico Bertin, o segundo maior do País, fez sua aposta no aumento no consumo de couro na Ásia e colocou em operação no primeiro semestre uma planta de acabamento na China. A companhia exporta o wet blue brasileiro para a unidade chinesa transformar em produtos específicos de acordo com as necessidades dos clientes, basicamente indústrias de calçados daquele país.

Até maio, a China havia importado 60% mais couro brasileiro este ano na comparação com 2007. O gigante asiático representa 22,5% dos embarques brasileiros, atrás apenas da Itália, com 29,1%. As vendas externas para o Vietnã cresceram 76% no período, saindo de US$ 13,12 milhões para US$ 23,12 milhões.

"Há potencial de ampliação da produção caso os curtumes adotem o terceiro turno", constata Bittencourt, do CICB. Mas para a Vitapelli não há mais saída: mesmo com o terceiro turno, a indústria não consegue atender a demanda. "Temos estrutura física e mercado para ampliar até 20 mil peles por dia, mas o investimento não sai porque temos mais de R$ 100 milhões a receber da Receita Federal", afirma Vitale.

A Vitapelli não recebe os créditos de tributos federais há quatro anos, segundo seu presidente. O executivo reclama que o dinheiro que deveria receber de volta pelos impostos sobre produtos exportados fazem falta no capital de giro. "Se não receber esses créditos, não terei fluxo de caixa para manter a produção", assevera ele.

Além dos créditos a receber, o CICB também está iniciando uma campanha para que a taxa de exportação do wet blue seja revertida em prol do setor. A taxa foi elevada de 7% para 9% em dezembro de 2006. A lógica é que, como a cobrança tem o principal objetivo de estimular a exportação do couro já acabado, deveria ter sua receita revertida para a modernização e capacitação do setor. "São US$ 135 milhões entre 2003 e 2006", calcula Bittencourt.

Outra bandeira é a redução das alíquotas de importação de peles de caprinos e ovinos. "O parque fabril do Nordeste tem capacidade para 12 milhões de peles mas só fabrica 7 milhões", argumenta o executivo do CICB.



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