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03/08/09 - 00:00 > POLÍTICA ECONÔMICA
Sistema de Preferências está na pauta de Mantega nos EUA


Karina Nappi
SÃO PAULO - O Sistema Geral de Preferências é um dos principais temas dos encontros que o ministro da Fazenda, Guido Mantega terá em Washington, na próxima quarta-feira (5) com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner.
Amanhã, ele terá reunião com o diretor-executivo do Brasil no Banco Mundial, Rogério Studart. Além do SGP, Mantega vai tratar do andamento da crise econômica global, do etanol e da situação da economia brasileira para investimentos estrangeiros no País. De acordo com informações do ministério, as reuniões deveriam ter acontecido em junho, às vésperas de um encontro do G-20 (grupo que reúne representantes de países ricos e dos principais emergentes), mas por problemas de agenda foram remarcadas para esta semana e acontecem em Washington. O foco que Mantega deve tomar ao falar com Studart será sobre as reformas políticas e o real posicionamento do Brasil frente ao Fundo Monetário Internacional (FMI), mesmo com a apólice de US$ 100 bilhões feita pelos Estados Unidos na última semana, além de articular medidas para angariar uma cadeira permanente no conselho de segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), afirmou o professor de Planejamento Estratégico do Mackenzie, Marcos Morita. Geithner afirmou que os Estados Unidos querem encontrar uma maneira de dar maior peso às economias emergentes em instituições financeiras globais.
"Discutiremos reformas para ajudar as instituições financeiras internacionais a serem mais representativas das dinâmicas economias emergentes, além de fortalecer sua capacidade de evitar futuras crises", destacou.
Para Morita, Mantega irá reforçar ainda o discurso de responsabilidade fiscal brasileira, bem como as medidas anticíclicas tomadas pelo governo durante a crise mundial, durante o seu encontro com investidores americanos . "Mesmo com a piora dos números das contas públicas do Brasil, o ministro deve mostrar as formas que o governo pretende assegurar a meta fiscal e o crescimento do Produto Interno Bruto [PIB] em 2009, enfim mostrará que o País ainda é solvente."
Na semana passada, o Banco Central (BC) informou que o superávit primário caiu 57% no período de janeiro a junho deste ano, na comparação com o primeiro semestre de 2008.
Morita relatou ainda que "os investimentos não irão aumentar em razão da reunião do ministro com os americanos."
"Não podemos esquecer que o Sistema Geral de Preferências [meio pelo qual os países em desenvolvimento podem vender mercadorias sem imposto para os Estados Unidos], vai vencer em 2009, e isso pode afetar a exportação de 3.500 produtos brasileiros, que corresponderam a 10% das vendas em 2008. Ele pode ser prorrogado novamente, não envolve só o Brasil", enfatizou o Morita.
Etanol
Após a afirmação do presidente norte-americano, Barack Obama de que não pretende remover a tarifa aplicada ao etanol importado do Brasil, o ministro Guido Mantega deve intervir e mostrar ao governante americano que a decisão será prejudicial tanto aos Estados Unidos quanto ao Brasil no longo prazo.
"O Brasil foi muito otimista na questão da tecnologia do etanol. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva esperava que o governo democrata de Obama fosse mais aberto, mas historicamente os americanos são bastante protecionistas e enfocam os interesses internos primeiro, nos trabalhadores", explicou o professor de Economia do Mackenzie-Rio, Fernando de Freitas.
O etanol brasileiro, produzido a partir da cana-de-açúcar, é mais competitivo do que o americano, feito do milho.
No entanto, as principais plantações de milho no país estão em Iowa, estado onde Obama conquistou sua primeira vitória nas primárias democratas. Os produtores da região também possuem um forte lobby em Washington para impor barreiras à entrada do etanol brasileiro.
"Neste momento, o mais correto é o governo brasileiro esperar mais algum tempo, pois a situação dos americanos em 2009, principalmente depois da crise financeira, é critica. O presidente Obama tem um flanco alto ainda para garantir um aumento dos empregos e a aceitação de suas ações como comandante da nação", argumentou Freitas.
O professor explicou também que os americanos ainda buscam a produção de veículos elétricos, e esperam o apoio de Obama. "Esse projeto deverá ser viável por pouco tempo, uma vez que o lítio [utilizado no projeto] não dura muito tempo e não é encontrado em grande volume."

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