SÃO PAULO - Ao encerrar o pregão desta segunda-feira aos 58.867 pontos, o maior fechamento do ano, o Ibovespa, principal indicador da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (BM&FBovespa), atingiu a valorização de 99,99% desde sua pior pontuação: a do 24 de outubro do ano passado, quando encerrou o dia aos 29.435 pontos.
"A expectativa continua sendo positiva. O que tenho falado é que os dados macroeconômicos e os dados microeconômicos, como os resultados das empresas, mostram uma perspectiva de que deve melhorar bastante neste terceiro trimestre. Isso vai dificultar uma realização mais consistente da Bolsa", afirma José Góes, economista da WinTrade, home broker da Alpes Corretora.
Vale destacar que hoje faz exatamente um ano o ápice da crise financeira global, com a falência do banco de investimentos Lehman Brothers, a instituição financeira mais importante da história dos Estados Unidos.
"A queda do ano passado foi promovida por fatores externos. Quando o Brasil se deu conta de que de alguma maneira seria afetado pela crise do subprime, tivemos uma recolocação de ativos, então o câmbio subiu porque as empresas exportadoras estavam vendidas e foram reverter e os investidores que precisavam de liquidez, principalmente os 'gringos', bateram em Vale e Petrobras e o Ibovespa de desabou", explica Ricardo Rocha, professor de Finanças do Insper.
Rocha diz ainda que a pontuação de 29 mil pontos do ano passado não foi coerente com a realidade das companhias brasileiras. "Eram fatores conjunturais, não próprios. Tudo o que cai muito volta a subir", diz o professor.
Com as incertezas sobre a economia mundial, nenhum especialista de mercado quis arriscar o fechamento do Ibovespa para o final do 2009, porém, a variação ficou entre 62 e 69 mil pontos, para ser atingida antes mesmo do encerramento de 2009. "Nossa previsão é de 68 mil pontos, mas vamos rever este resultado, dependendo das notícias do mercado", diz Clodoir Vieira, economista da Souza Barros Corretora.
Para o investidor estrangeiro, o Ibovespa já apresentou valorização de 154,02%, saindo dos 12.735 pontos em 24 de outubro do ano passado para 32.349 pontos do fechamento de ontem.
"O investidor estrangeiro que se aproveito do momento teve um ganho excepcional, mas foi um momento que deu uma oportunidade muito grande. Para quem acreditou que a crise não seria uma catástrofe, como algumas pessoas chegaram a mencionar, acabou que a economia deu um maravilhoso ganho", acrescenta Góes.
Segundo dados de mercado da própria Bolsa brasileira, os investidores estrangeiros estão com saldo negativo, no mês de setembro, em R$ 229,8 milhões, até o dia 9, com compras em R$ 9,983 bilhões e vendas em R$ 10,213 bilhões. Mas no ano o saldo é positivo em R$ 13,740 bilhões. No ano passado inteiro a posição do estrangeiro na Bolsa ficou negativa em R$ 24,6 bilhões.
A participação do estrangeiro na Bolsa, considerando os movimentos de compra e venda, está em 31,9% no mês de setembro, também até o dia 9. No acumulado do ano, a participação deste investidor é de 35,5%, mesmo percentual que encerrou 2008.
Entre as ações que fazem parte do Ibovespa e apresentam maior valorização no ano, estão as ordinárias (com direito a voto) da Rossi Residencial, com elevação de 222,72%, seguidas pelas ações ON da Gafisa, com alta de 163,13% e pelas ON da Cyrela Realty, com ganho de 161,06%.
Por outro lado, entre as ações que mais caíram estão as preferenciais da Brasil Telecom Participações, com retração de 5,23% e os papéis PNA da Telemar Norte Leste, com queda de 0,25%.
"Estamos acreditando para o médio prazo no setor de construção civil, apesar de ter subido bastante continuamos achando interessante. Como a economia mundial está melhorando, acreditamos em uma valorização dos preços das commodities, com isso, também estamos confiantes com as empresas de commodities", afirma Góes.
As empresas que estão em setores de consumo interno no Brasil também são destaques positivos para o economista.