09/11/09 - 00:00 > INTERNACIONAL
G-20 manterá ajudas para garantir recuperação sólida


PanoramaBrasilagências internacionais
SAINT ANDREWS - Na contramão do que muitos países têm anunciado nas últimas semanas, os ministros das finanças do Grupo dos 20 (G-20 - que reúne os países os países ricos e os principais emergentes) decidiram no último fim de semana manter programas emergenciais de apoio às economias até que a recuperação esteja garantida.
"As condições econômicas e financeiras melhoraram depois de nossa resposta coordenada à crise. Entretanto, a recuperação está desequilibrada: continua dependente de políticas de estímulo", afirma o documento divulgado depois da reunião.
No entanto, Índia e União Europeia (UE) anunciaram na semana passada que iniciaram os procedimentos para retirar as ajudas financeiras à sua economia, argumentando que o pior da crise já passou. "Para restaurar a saúde da economia global e do sistema financeiro, concordamos em manter o apoio à recuperação até que ela esteja assegurada", segundo o documento.
Durante o encontro, Timothy Geithner, secretário do Tesouro dos Estados Unidos, afirmou que altas taxas de desemprego mostram que a recuperação econômica ainda está sob risco e que os governos precisam manter programas de estímulo o quanto for necessário para assegurar o crescimento sustentado. O secretário também manifestou ser contrário à proposta britânica de criação de um imposto sobre transações financeiras direcionado a criar um fundo de apoio para futuros períodos de estresse no sistema financeiro. "Um imposto diário sobre transações financeiras não é algo que estamos preparados para apoiar", afirmou.
Sobre os programas de estímulo, Geithner afirmou que "se pusermos o pé no freio muito rapidamente, vamos enfraquecer a economia e o sistema financeiro. O desemprego vai subir, mais empresas vão quebrar, o déficit orçamentário vai crescer e o custo final da crise será maior", disse ele, em comunicado, depois do encontro. A taxa de desemprego dos EUA subiu a 10,2% em outubro, o maior nível desde abril de 1983.
A China desconsiderou a pressão internacional para que valorize sua moeda, afirmando que os países desenvolvidos deveriam se concentrar na qualidade de sua própria política econômica. O ministro chinês de Finanças, Xie Xuren, depois de encontro de colegas de outros países e representantes de bancos centrais do G-20 na Escócia, afirmou que os países que detêm moedas globais de reserva deveriam trabalhar para manter o valor delas.
Na sexta-feira, o novo ministro alemão da Cooperação Econômica e Desenvolvimento, Dirk Niebel, disse que potências econômicas como China e Índia não preenchem mais critérios para receber ajuda ao desenvolvimento. Niebel disse que, em primeiro plano, as novas estratégias do governo vão girar em torno da concentração dos recursos disponíveis, da fusão da ajuda técnica e financeira e da concentração em determinados países parceiros.
Essa concentração da ajuda ao desenvolvimento a somente determinados países implica que, no futuro, programas financeiros de incentivo e cooperação técnica com emergentes, através de organizações competentes, não deverão mais existir na forma como ocorrem hoje.
Stephan Bethe, porta-voz do ministério de Niebel, declarou que, nesse contexto, o ministro deixou claro que cortará ajuda ao desenvolvimento à China. A cooperação financeira com a China já havia sido abolida pelo antigo governo. Agora, a cooperação técnica deverá acabar. Para tanto, o orçamento de 2009 ainda prevê 27,5 milhões de euros.
A sugestão do governo brasileiro de incluir na agenda do G-20 sobre os desequilíbrios econômicos a volatilidade cambial foi acatada pelos ministros reunidos em Saint Andrews, segundo o presidente do Banco Central do Brasil, Henrique Meirelles. Ele ressaltou, entretanto, que a proposta será abordada dentro das discussões sobre Desenvolvimento Sustentável do G-20, e que nada garante que haverá padronização pelo sistema de câmbio flutuante.
Meio ambiente
Os países ricos e aqueles em desenvolvimento discutiram o problema das mudanças climáticas, mas não conseguiram avançar no tema. No mês que vem haverá um importante encontro para discutir o tema em Copenhague.
O Reino Unido, que foi anfitrião de um encontro de ministros de Finanças do G-20 na Escócia, estava determinado a avançar em um acordo de US$ 100 bilhões para cobrir os custos do controle das mudanças climáticas até 2020. Mas as negociações enfrentaram problemas por causa de uma disputa com grandes países desenvolvidos sobre quem vai pagar a conta.

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