05/02/10 - 00:00 > INTERNACIONAL
Espanha, Portugal e Grécia provocam queda nas bolsas


Carolina GamaFernanda Bompan
SÃO PAULO - As preocupações com as finanças públicas da Grécia começam a se espalhar pela Europa e já contaminam Espanha e Portugal. Com isso, a reação dos investidores foi imediata à possibilidade de uma nova crise nesses países: a Bolsa de Madri fechou em queda de 5,94% e Lisboa fechou com retração de 4,98%. Paris caiu 2,75%, Frankfurt teve queda de 2,45% e Londres caiu 2,17%. O temor também chegou a Wall Street, onde o Dow Jones - principal índice da Bolsa de Nova York - fechou em baixa de 2,61%.
Tanto a Espanha como Portugal têm graves problemas orçamentários, como uma dívida e um déficit públicos em forte alta, o que faz muitos identificarem semelhanças com a situação da Grécia, que já vem preocupando a zona do euro há várias semanas.
A previsão é de que o déficit público espanhol atinja 60% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano. Na sexta-feira passada, o governo anunciou um plano de austeridade de 50 bilhões de euros para tentar reduzir a dívida pública do país de 11,4% do PIB registrados em 2009 para 3% até 2013.
A Espanha, duramente castigada por uma profunda recessão econômica e pela explosão de sua bolha imobiliária, viu suas finanças públicas se degradarem a uma velocidade vertiginosa a partir de 2007, corroendo a imagem da economia nacional.
O desemprego atingiu 18,83% da população economicamente ativa no final de 2009, quase o dobro do da zona do euro.
"A crise é muito forte na Espanha, que deve fazer um esforço para reduzir o déficit público", disse Dominique Strauss-Kahn, diretor-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Na tentativa de reverter a situação, a Espanha realizou ontem uma emissão de bônus para três anos, a uma taxa média de 2,61%, quando para a emissão anterior de bônus do mesmo tipo, no dia 3 de dezembro, a taxa era de 2,13%.
Quanto a Portugal, a dívida pública chegou a 90% do PIB depois que o governo adotou uma estratégia para tirar o país de sua pior recessão em décadas.
Considerada a segunda economia mais frágil da zona do euro, depois da Grécia, Portugal não conseguiu impressionar investidores com seu plano de cortes de gastos públicos até 2013.
Para 2010, o governo garante que começará a retirar seus incentivos e reduzir planos de relançamento de setores mais afetados. Mas o fim dos estímulos está gerando a preocupação dentro do país de que a economia volte a uma situação de recessão.
"Os investidores estavam muito voltados para uma presa, a Grécia, que parece ter se livrado deles. Agora eles se voltam para outra [presa], para nós", disse o ministro português Teixeira dos Santos.
Jean-Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu (BCE), pediu ontem aos países membros da zona do euro que busquem estratégias para controlar seus déficits. Já Jean-Claude Juncker, presidente do fórum de ministros de Finanças da zona do euro, afirmou que Espanha e Portugal não representam risco para a estabilidade da região.
Estados Unidos
A agência de classificação de risco Moody's informou ontem que o nível de endividamento público dos Estados Unidos pode comprometer a nota de crédito norte-americana. A nota hoje é AAA - a mais alta. Segundo a agência, o governo tomou medidas positivas ao congelar, por três anos, os gastos com 120 programas, mas que a trajetória da dívida permanece de alta, a não ser que mais medidas sejam implementadas. Na prática, uma queda na nota significa que o governo dos EUA vai ter que pagar mais juros para atrair os investidores a comprar os seus papéis, que é como ele financia a sua dívida trilionária. A Casa Branca estima que a dívida federal no atual ano fiscal (até setembro) vai representar 63,6% do PIB, dez pontos percentuais mais que no ano passado.

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