09/02/10 - 00:00 > FINANÇAS

Investidores optam por maior risco e vão para os derivativos


Eduardo Puccioni
SÃO PAULO - O atual momento do mercado está fazendo com que os investidores, principalmente as pessoas físicas, aumentem seus riscos no mercado de derivativos. A Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (BM&F Bovespa) alcançou no último dia 5, sexta-feira, o recorde de 87.722 negócios no segmento BM&F. A marca anterior era de 79.672, registrada no dia anterior. No total, foram negociados 2.172.621 contratos, com um volume financeiro de R$ 139,83 bilhões.

"Este mercado pode ser utilizado para o investidor aumentar seu risco ou para usar para diminuir a exposição. O recorde mostra uma confiança no apetite dos investidores, que procuram maior risco, como fundos com participação em derivativos, os chamados multimercados", explica George Ohanian, professor de Finanças do Insper.

Já para Pedro Alceu Cardoso, gerente de Renda Variável da TOV Corretora, a tendência para este mercado do segmento BM&F é de total crescimento. "Os investidores estão começando a conhecer melhor este mercado, com isso, torna uma tendência cada vez maior para os negócios realizados na BM&F", afirma Cardoso.

Ohanian também desta a forte divulgação da BM&F Bovespa para este mercado. "Iniciativas de levar mais informações para os investidores e iniciativas de popularização", diz o professor.

Os especialistas dizem que não é divulgado o número separadamente da quantia de investidores pessoa física e pessoa jurídica, por conta disso, não é possível saber qual dos dois tipos de investidores estão crescendo neste segmento de mercado futuro. Mesmo assim, eles acreditam que esta alta não se deve somente a saída de investidores do mercado de ações, que vem trazendo perdas para a Bolsa de Valores brasileira.

"O mercado de derivativos possibilita ser utilizado junto com as operações de Bolsa. Então você faz, por exemplo, misturando posições no mercado de Bolsa e usa as posições no mercado de derivativos para proteger sua carteira. Dependendo do grau de sofisticação você tem uma gama muito grande de possibilidades", acrescenta Ohanian.

"Existe ainda uma grande porcentagem de pessoas físicas que ainda não foram para o mercado de derivativos e, quando forem, esse número vai aumentar. É a tendência dos investidores que iniciam operações no mercado à vista", acredita Cardoso.

Outra marca histórica alcançada na última sexta-feira foi do número de negócios, contratos negociados e volume financeiro do minicontrato futuro de Ibovespa, principal indicador da Bolsa paulista: no total, foram realizados 40.841 negócios, ante 31.391 registrado no dia 21 de janeiro deste ano, com a negociação de 106.940 contratos, superando a marca anterior de 81.732 minicontratos negociados no mesmo dia.

O volume financeiro do minicontrato futuro de Ibovespa movimentou R$ 1,33 bilhão, contra o recorde anterior que era de R$ 614,2 milhões alcançado no dia 21 do mês passado.

Para finalizar, mais um recorde foi registrado na BM&F Bovespa no dia 05 de fevereiro, a marca histórica de 117.203 transações originadas por meio do sistema de Acesso Direto ao Mercado (DMA, na sigla em inglês) no segmento BM&F. O recorde anterior era de 103.114, que foi alcançado no dia 04 de fevereiro deste ano.

Os números de contratos e de negócios realizados por meio do sistema de negociação eletrônico CME Globex, da Chicago Mercantile Exchange, também estabeleceram recordes nesse pregão. Foram 281.848 contratos em 67.514 negócios, ante 229.284 e 55.317, respectivamente, obtidos no dia anterior ao recorde.

Cardoso diz ainda que é preciso tomar cuidado com o mercado de derivativos, pois como a alavancagem é maior, quando o investidor ganha na aposta o valor é superior ao de ações, mas quando perde a quantia também é muito elevada. O especialista afirma ainda que com a "explosão" do dólar, existe muita empresa que está aproveitando o mercado para defender suas posições conquistadas antes.

"Houve um crescente aumento no mercado de ativos em geral, como em moedas e produtos agrícola", finaliza Cardoso.



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