A chinesa Jinxiang, fabricante de automóveis, será a primeira montadora de seu país a se instalar no Brasil. A companhia planeja construir no País um modelo compacto, com o preço aproximado de R$ 7 mil.
Na sexta-feira, a Jinxiang Fang Neng Eletromobille, montadora de veículos populares de energia limpa (E-car), assinou um protocolo de intenções com a Prefeitura de Rolante, no Rio Grande do Sul, para a construção de uma fábrica na cidade.
A companhia tem expectativa de crescer na casa dos dois dígitos este ano no mundo, após cerca de 30% de aumento nas vendas no ano passado.
As obras devem se iniciar em abril, de acordo com o advogado Jamil Abdo, sócio presidente do Abdo Advogados, escritório que representa juridicamente a instalação da montadora chinesa no Brasil. O início da produção está previsto para o ano que vem.
"No primeiro momento os carros chegarão importados da China. Depois vão chegar semimontados, para que sejam montados nas instalações. A terceira etapa prevê a fabricação total do produto aqui", diz Abdo.
Já foram iniciadas conversas com fornecedores brasileiros para que haja produção local das peças, embora não exista nenhum acordo fechado oficialmente. De acordo com advogado, esses fornecedores já estão instalados na Região Sul e há alguns grandes em conversações. "Vamos iniciar 100% chineses. Mas a idéia é ter uma grande parte da produção localizada", diz.
Os veículos devem chegar ao Brasil nos próximos meses. Segundo Abdo, o alvo da montadora é o público das classes C e D: "Vamos iniciar a distribuição na Região Sul, depois expandir para todo o Brasil. Mas o objetivo é alcançar toda a América Latina."
Novidade
O veículo de energia limpa da montadora chinesa será o primeiro a chegar na América Latina. O carro-chefe será um modelo para duas pessoas, mas há também veículos que comportam até quatro passageiros - mas estes chegarão em uma próxima etapa.
Esses veículos funcionam com 20 baterias, que têm autonomia para rodar até 500 quilômetros. Depois o veículo pode ser movido a álcool. A bateria é recarregada na tomada, "como se fosse um telefone celular", diz o advogado.
Abdo conta que a tecnologia já existe há algum tempo, mas as grandes montadoras instaladas aqui a consideram inviável para o Brasil. "Mas agora elas vão pagar por isso", diz.
Os planos dos chineses são ambiciosos. A fábrica terá capacidade inicial, daqui a três anos, de produzir até 10 mil veículos anuais, mas já há perspectivas de expansão. "Vamos iniciar com um porte menor, para depois crescer. Não há veículo igual na América Latina. Nós vamos ser os primeiros a fornecê-lo, e a primeira marca é a que fica. O objetivo é crescer com o mercado, vamos até o ponto que o mercado comportar", diz o advogado.
Serão gerados aproximadamente 2 mil empregos diretos e indiretos. A montadora está planejando a rede de distribuição e assistência técnica, mas Abdo garante que tudo vai estar pronto com a chegada dos primeiros modelos, daqui a alguns meses. "Serão poucos, apenas para sentir o mercado e testar a aceitação. Mas nossa ambição é imensa", afirma.
Mercado atrativo
As montadoras da China e da Índia estão de olho nos mercados de automóveis da América Latina. Nesta semana, a indiana Mahindra apresentou os modelos que serão comercializados no mercado brasileiro, fabricados em Manaus (AM) em parceria com a brasileira Bramont.
Desde o ano passado chegam, importados, os veículos da chinesa Changan, comercializados no mercado brasileiro com a marca Chana. No entanto, são veículos utilitários, sem grande volume de vendas.
Outra asiática que está colocando um pé na América Latina é a indiana Tata Motors. Ela tem um acordo para produzir uma picape na planta da Fiat em Córdoba, na Argentina, modelo que será comercializado nos mercados argentino e brasileiro, com a marca italiana.
No segmento de carros populares há a movimentação da chinesa Chery, que está erguendo uma planta no Uruguai para produzir o QQ, veículo de baixo custo. Os planos são de aproveitar os acordos comerciais automotivos que estão sendo discutidos entre os países do Mercosul para atingir estes mercados.
As vendas de automóveis no Brasil bateram recorde no ano passado, com 2,46 milhões de unidades vendidas, crescimento de 27,8%. Na Argentina as vendas somaram 564,9 mil unidades.