31/01/08 - 00:00 > VEÍCULOS
Revenda de carro pressiona indústria


Danielle FonsecaAndré Barros
Grandes grupos de concessionárias de veículos, como Viamar, Itavema e Grupo Parvi, estão otimistas neste ano, com planos de expansão e expectativa de que as vendas continuem aquecidas. Por isso, começam a pressionar a indústria para atingir seus objetivos, como reflexo de 2007, quando as vendas de veículos bateram recordes históricos. Após perceber forte demanda reprimida, com a falta de carros no mercado no ano passado, o setor começou a cobrar da indústria o atendimento ao mercado interno.
O impacto deve-se ao fato de que as vendas de 2007 poderiam ter sido de 15% a 30% maiores, se houvesse veículos nas revendas. Segundo as revendedoras, a ação começa a surtir efeito, tanto que contratos de exportação começam a ser redirecionados para que seja possível atender à demanda nacional.
Outro forte indício de que o ano será vigoroso para o setor de vendas é o sinalizado pela primeira quinzena deste ano: aumento nas vendas em média de 40% ante o mesmo período do ano passado, conforme a Federação Nacional dos Distribuidores de Veículos Automotivos (Fenabrave). No período, conforme a entidade, foram vendidos 95.712 veículos.
Segundo Sérgio Reze, presidente da Fenabrave, a entidade projeta um crescimento de 19% a 20% do setor para este ano, em relação a 2007 - crescimento um pouco menor do de 2007, registrado com alta de cerca de 28%. "É natural que o crescimento não tenha o mesmo ímpeto que o de 2007, mas mesmo assim esperamos o maior ano da história para o setor", diz Reze.
Quanto ao possível efeito da crise norte-americana sobre o mercado de venda de carros, o presidente da Fenabrave diz não estar sendo sentido, e acredita que a meta para o ano não deve ser alterada.
Com a meta de crescer 15% este ano, o Grupo Viamar - que possui sete concessionárias Chevrolet no País, da qual é a principal revendedora em São Paulo, mais nove revendas Yamaha - está muito otimista. A gerente geral do Grupo, Regina Maestrello, diz que a rede tem capacidade para vender 1.500 carros por mês, e só está vendendo 1.200, em média, simplesmente porque não tem mais produtos a oferecer aos clientes.
Para mudar esse quadro, a expectativa da Viamar é que a General Motors aumente sua capacidade de produção e destine mais veículos às concessionárias. Para isso, Regina comenta que a montadora teria até redirecionado contratos de exportação.
Na opinião do gerente comercial da Viamar, Daniel Keleman, o mês de janeiro já apresentou um bom desempenho. A meta era de vender 1.360 carros no mês, e até o dia 24 de janeiro haviam vendido 1.100, o que para ele é sinal com certeza de que a marca será ultrapassada. Para o gerente, muitos consumidores estão desinformados sobre as taxas e pouco preocupados com o IOF, além disso, 90% das vendas já foram realizadas por leasing, operação sobre a qual o imposto não incide. "A taxa do leasing é mais atrativa, é a forma mais vantajosa para nós e para os clientes, que têm maior facilidade de trocar de carro também", explica.
Falta de carro
O Grupo Itavema, um dos maiores do Brasil, com cerca de 80 concessionárias de diversas montadoras, também espera um ótimo 2008, com previsão de crescer cerca de 20% em vendas. O gerente de Vendas da rede, Henry Kocfis, explica que no ano passado as vendas poderiam ser até 30% maiores caso tivessem recebido os carros necessários. "Está faltando carro", lamenta.
Em 2007, o grupo vendeu 86 mil unidades e faturou R$ 4,1 bilhões. Para o gerente, o mês de janeiro também já registrou boas vendas e sinaliza que o mercado continuará aquecido. O crescimento da Itavema também deve ser impulsionado pela entrada no grupo em um novo segmento, com a abertura da fábrica de motos Dafra, em Manaus (AM). As motos, que possuem peças chinesas, devem começar a ser comercializadas em fevereiro e os investimentos na área foram de R$ 100 milhões. Só de concessionárias Dafra, devem ser abertas 50, até o final deste ano.
Oo Grupo Parvi, da família Schwambach, líder do segmento na Região Norte e Nordeste, diz ter tido um crescimento médio de 25% nos últimos cinco anos nas vendas, e por conta do bom desempenho do ano passado possui planos de também entrar no mercado do Centro-Oeste.
De acordo com o diretor comercial Bruno Schwambach, em 2007, a rede poderia ter vendido 10% a mais e é fundamental que este ano haja um equilíbrio entre a demanda e a oferta para que tenham rentabilidade. O diretor diz que é preciso esperar para ver se as montadoras tenham condições de crescer de 15% a 20% como seria esperado.
Para a empresa, o real impacto de uma possível recessão norte-americana ainda não aconteceu, e as vendas deste janeiro estão dentro do esperado. "Em 2007 tivemos um crescimento de 17% em relação a 2006. Não crescemos mais porque faltou carro o ano inteiro. Não tivemos muita flexibilidade para crescer porque as montadoras não entregaram os volumes que poderíamos vender", disse o diretor comercial Bruno Schwambach.
Em 2007, a Parvi fechou o ano com 73.700 unidades vendidas -veículos, caminhões e motocicletas, entre novos e usados- e faturamento de R$ 2,7 bilhões.

|
COMENTÁRIOS
|
|
|
Comente esta notícia. Aqui, o que vale é a sua visão do que acontece no país e no mundo.
Seu comentário será publicado após revisão da Redação do DCI Online. Textos com palavrões
e/ou ofensas não serão publicados.
Clique
aqui
para comentar
|

|