Nas conversas e bastidores do mercado financeiro muito se escuta falar sobre as fintechs, expressão derivada da fusão de duas palavras em inglês financial e technology. Elas podem criar um grande desafio para o setor bancário impactar as instituições financeiras conservadoras e seus modelos de negócios. Atualmente, o Brasil tem 250 delas em operação e, metade delas, já fatura acima de R$ 1 milhão, de acordo com o relatório do FintechLab.



No entanto, é importante conhecer a história dos bancos nacionais e sua relação com a tecnologia. Diferentemente da Europa em que as grandes empresas de telecom ditavam as tendências e investimentos em novos modelos e tecnologias, no Brasil, os grandes bancos sempre foram precursores e incentivadores do uso de novas tecnologias. É conhecido por poucos que o primeiro grande banco no mundo a adotar a internet como forma de relacionamento com clientes de varejo foi um banco brasileiro.



Foi uma das primeiras empresas no Brasil a utilizar computadores para administrar negócios e um dos primeiros bancos da América do Sul a automatizar as operações. Em 1980, essa mesma instituição, já detinha a liderança em tecnologia em seus processos, iniciando uma revolução no mercado financeiro, com a comunicação de dados via satélite, além de inaugurar o primeiro home banking.



O tamanho quase continental do Brasil, a necessidade de atender pessoas em lugares remotos a um custo competitivo, o fato dos usuários brasileiros serem mais adaptados às novas tecnologias, inteligência no controle de riscos, tanto nas operações quanto nos processos, explicam porque os bancos sempre foram os que mais investiram em tecnologia.



Dados da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária em 2015, realizada pela Deloitte, mostrou que, entre os Brics, o Brasil é o país que mais destina recursos em TI no setor bancário. O valor direcionado pelos bancos é, em geral, na ordem de R$ 20 bilhões, média registrada nos últimos cinco anos.



No passado, os gerentes e agências tinham um grande impacto no relacionamento com o cliente final, basicamente uma relação pessoal que se estendia fora da agência e permitia um entendimento profundo dos riscos. Hoje, esta relação no varejo é anulada pelo uso de sistemas complexos nas agências, que eliminaram as alçadas e o poder de decisão dos gerentes e diretores.



As fintechs oferecem um modelo de negócio mais enxuto, acessível, projetando uma margem de lucro maior, bem como conectam todo o mercado, dinamizando a oferta de serviços financeiros. Por outro lado, as instituições financeiras - em sua maioria, concentram valiosas informações de banco de dados comportamentais de seus clientes e especialização em nichos.



As Sociedades de Microcréditos - as SCMEPPs - autorizadas e reguladas pelo BACEN, iniciaram o uso de tecnologias para tornar mais eficiente o acesso ao cliente final. Na prática, são usados tablets e mobile para baratear o custo de transação para o cliente e beneficiar um determinado público ainda marginalizado pelo sistema financeiro tradicional.



A sinergia entre as fintechs e as instituições financeiras é grande. A capacidade de inovar que elas têm aliado ao conhecimento de mercado, tradição e a capacidade de funding das instituições financeiras, podem gerar ganho aos consumidores finais, produtos e soluções mais simples e baratas eficiência no relacionamento.



Ricardo Assaf é presidente da ABSCM



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