O setor empresarial e a parcela mais esclarecida da sociedade brasileira assistem estupefatos o Congresso Nacional, por vários de seus partidos, líderes e congressistas brincarem com o tema da Reforma da Previdência de forma inconsequente.



Para grupos e partidos radicais, da linha "quanto pior melhor", é compreensível esse comportamento juvenil e mesquinho, para não falar outras coisas.



Mas, quando partidos que historicamente se posicionaram em defesa dos temas estruturantes e estratégicos de transformação nacional também se comportam da mesma forma, colocando em risco a dolorosa recuperação da economia, da renda e do emprego, é assustador, para não dizer, inaceitável, essa leviandade.



Os números estão aí e não permitem alquimias. As análises convergem todas para a mesma compulsoriedade de uma reforma ampla e definitiva.



O processo negocial com partidos promoveu cortes, ajustes, adaptações e protelações no que seria o necessário para o momento, gerando o que seria possível.



Mas nem isso tem assegurado sua evolução por conta da mesquinhez e pequenez de líderes e partidos que insistem em brincar com fogo esticando negociações que possam redundar em benefício imediatos clientelistas, todos alegando uma inaceitável cautela por conta das eleições do próximo ano.



Nesse comportamento errante, desprezam o que lhes será cobrado pelo setores empresariais e mais a parcela da sociedade que tem consciência do problema - nessas e nas próximas eleições -, esquecendo que o que se busca, em termos básicos, é equidade de tratamento entre os setores público e privado, reduzindo os desatinos criados por anos de inconsequente gestão do assunto.



Ao fazerem isso, colocam em risco a redução da inflação, das taxas de juros, a recuperação do emprego e dos salários, o crescimento da massa salarial, o crescimento da confiança dos consumidores, o saldo positivo da balança comercial, a recuperação dos investimentos e do consumo, o teto dos gastos públicos e a ampliação do investimento direto externo, pois todos esses fatores serão, direta ou indiretamente, afetados por uma insensata não aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 287/2016, que estabelece as bases da Reforma Previdenciária.



Depois de três anos de dramática recessão, que custou o emprego de 14 milhões de pessoas e um número incalculável de empregados informalmente, 200 mil lojas fechadas no varejo, além de indústrias, serviços e negócios paralisados, e que gerou um atraso irrecuperável frente a outras economias do mundo, ninguém em sã consciência pode se posicionar de forma dúbia com respeito ao tema, com exceção dos que querem ver o circo pegar fogo, como os sindicatos que têm usado da manipulação e da mentira para se posicionarem contra.



O setor empresarial tem se mobilizado para fazer chegar ao Congresso, aos partidos e aos líderes políticos de bom senso, o quanto vê como fundamental a aprovação da Reforma da Previdência, mesmo que desidratada como está.



Brincar com esse tema, nesse momento, protelando ou negando sua aprovação, vai abrir um fosso de difícil - senão impossível -, correção no futuro. Cada um que conspirar, ou se omitir, na não aprovação, ficará marcado por sua fraqueza e inconsequência.



Marcos Gouvêa de Souza é fundador e diretor do grupo GS&Gouvêa de Souza



 



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