- Com deselegância e sem fundamento, profetas do próprio ego têm usado a mídia para tratar empresas e trabalhadores da Zona Franca de Manaus com acusações falaciosas. Entre elas, a "mamata que apenas em renúncias fiscais consumiu algo como R$ 28 bilhões/ano entre 2012 e 2016". Essa infâmia inaceitável se dirige ao maior acerto fiscal da história da República.

Somos 500 empresas que sobrevivem às manobras do Sudeste à procura de bodes expiatórios ou cortinas de fumaça de atores que olham o mercado como uma ciranda financeira e a sociedade como espaço de manobras. Somos o terceiro PIB Industrial, que representa 0,6% dos estabelecimentos industriais do Brasil. Não somos, portanto, ameaça para 30% das indústrias do Brasil sediadas em São Paulo.

Falta disposição para o diálogo de alinhamento fiscal, industrial, ambiental e de ciência, tecnologia e inovação. Temos 20% do banco genético, 20% da água doce e 50 anos de experiência industrial numa economia de baixo carbono que conserva 95% da floresta. Por que não colocar o Brasil na liderança mundial da bioeconomia?

Fomos alertados por acadêmicos que nos ajudam a criar novas modulações econômicas - que estaria em movimento uma intervenção fiscal. Por que manter isenção apenas para região mais rica do país que usufrui 53% da renúncia fiscal desde a "Era JK"? Toda a Amazônia, mais Tocantins, dois terços do país, usufruem apenas 12%. A quem importa as pesquisas de doutorado da FEAUSP sobre a "Distribuição da Riqueza na Zona Franca de Manaus", onde, com nota máxima e louvor, descobriu-se que 54,42% da riqueza produzida na ZFM é recolhida aos cofres federais? De quem é a mamata? Não há aqui um só centavo público e o benefício se aplica apenas na emissão da nota fiscal dos produtos.

Vamos, então, deletar a Zona Franca, o paraíso fiscal do Brasil, e começar pela demissão de sete mil colaboradores da Honda, a maior empresa de motocicletas do mundo, capaz de produzir o modelo 125, em 22 segundos, com 85% de verticalização industrial nacional. Os exemplos vão por aí. As empresas são ficha-limpa de inatacável envergadura. Os desempregados da ZFM vão precisar transformar a floresta em meio de subsistência.

Removida esta floresta - que mantemos conservada em mais de 95% - de onde o Sudeste vai retirar água para abastecer seus reservatórios ou energia para a população?

Essas empresas, porém, não suportariam o custo Brasil, pelas mesmas razões que as empresas paulistas estão indo para o Paraguai.

Em São Carlos, interior paulista, na Unidade de Instrumentação da Embrapa, pesquisadores investigam, em avançados laboratórios de nanotecnologia, os clones de seringueira, a árvore da fortuna que respondeu pela metade do PIB por três décadas. O laboratório custou R$ 3 milhões e poderia ser também aqui instalado.

Nos últimos cinco anos, as empresas de informática recolheram a mamata de R$ 2,4 bilhões para pesquisa e desenvolvimento na Amazônia. Desde 2013, não fica um centavo na região. Outra mamata são R$ 270 bilhões do BNDES, apropriados pelo Sudeste do país, entre 2009 e 2014. Noblesse oblige, diriam os franceses. Olhado com desdém pelas lentes da desinformação insensata e da injúria encomendada, o Amazonas exige respeito. Não é de agressão e infâmia que este Brasil sem Norte precisa para sair do buraco em que atitudes desse calibre o enfiaram.

wilson.perico@technicolor.com

Presidente do CIEAM evice-presidente daTechnicolor para AL