BEIJING - A China está atenta à discussão sobre a possibilidade de venda de terras a estrangeiros no Brasil, mas só atuará de forma efetiva nisso se o assunto for regulado. A afirmação é do diretor geral do Departamento de América Latina e Caribe do Ministério de Relações Exteriores da China, Zhu Qingqiao.



Zhu, que já serviu como diplomata na embaixada da China em Brasília em duas oportunidades, afirmou que as empresas chinesas estão muito interessadas em uma maior cooperação na área agrícola com o Brasil, mas negou que já tenha havido aquisições de áreas no País. "A China não comprou terras no Brasil. Outros países podem ter comprado, mas nós vamos atuar sempre baseados no respeito à legislação", afirmou.



A proposta do Executivo, que tramita atualmente no Senado, permite a venda dadre até 25% das terras de um município brasileiro a estrangeiros.  



Há muitas formas de atuação no setor agrícola que não passam pela aquisição de áreas, acrescentou Zhu. Um exemplo seria firmar parcerias com cooperativas brasileiras. "Também podemos estabelecer uma empresa de capital misto para este tipo de cooperação", acrescentou.



Empresas chinesas têm investido em infraestrutura voltada à agricultura, como silagem e logística. A companhia chinesa Cofco, por exemplo, consolidou em 2016 a aquisição da brasileira Noble Agri e hoje atua por meio de quatro unidades no interior de São Paulo.



(A jornalista viajou a convite da Associação de Diplomacia Pública da China) 



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