O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), mudou o tom de conciliador que o fez ascender ao posto no lugar do ex-deputado Eduardo Cunha, preso e condenado no rastro da Operação Lava Jato. E já assume ares de quem pretende assumir a Presidência da República nos próximos dias, passando por cima do presidente Michel Temer.



Essa avaliação foi feita na manhã desta quarta-feira (12) pelo senador Paulo Paim (PT-RS), ao comentar a afirmação feita por Maia em sua conta no Twitter, ao afirmar que a Câmara não vai votar nenhuma Medida Provisória (MP) que modifique o texto da reforma trabalhista aprovada na Câmara e aprovada ontem no Senado, sem alterações.



"A Câmara não aceitará nenhuma mudança na lei. Qualquer MP não será reconhecida pela Casa", afirmou Maia no Twitter.



O texto foi aprovado nesta terça-feira, 11, no Senado por 50 votos a 26 e segue agora para a sanção presidencial. Para conseguir o apoio da maioria dos senadores, o presidente Michel Temer prometeu a edição de uma MP para modificar alguns pontos da reforma, como a questão que restringir a jornada parcial de trabalho, o chamado trabalho intermitente.



 "A mim não surpreendeu", disse Paim há pouco, em entrevista à Rádio Senado, referindo-se à promessa feita pelo presidente Michel Temer de editar uma Medida Provisória (MP) para fazer ajustes solicitados pelos senadores para aprovar, sem alterações, o texto sobre a reforma trabalhista aprovado no Senado.



"No discurso que fiz durante a votação da matéria, eu dizia: 'O Senado é a Casa do equilíbrio, o Senado não pode deixar de ser sujeito de sua própria história. O Senado teve posição desde a aprovação da Lei Áurea, com relação ao parlamentarismo, se não o golpe de 1964 teria sido dado em 1961", detalhou.



Paim reclamou da posição dos governistas de terem aprovado a matéria, sem alterações, confiando nas promessas de um governo que está ameaçado de cair, se for aprovada a denúncia por corrupção passiva apresentada contra Temer pela Procuradoria-Geral da República.



"Sabendo que o presidente atual já está caindo e o outro já está querendo passar por cima dele para sentar rapidamente na cadeira, era o momento de o Senado parar e analisar e ver o que vamos fazer em nome do País, de um projeto de nação e não dando aval a um presidente que vai cair, no máximo em 15 dias.