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Usando uma expressão bem comum nesses dias caóticos de acusações e pré-julgamentos, o verdadeiro "assassinato de reputação" internacional que o Brasil foi vítima nesses dois últimos anos tem cobrado um alto preço na atração de investimentos externos diretos. O último ranking de confiança do investidor estrangeiro realizado pela consultoria A. T. Kearney colocou o Brasil no 16º posto entre 25 nações, quatro degraus abaixo do verificado um ano antes - e bem longe do 6º lugar conquistado em 2015.

A crise política e econômica cobrou esse preço. Os aportes diretos no País encolheram de US$ 65 bilhões para US$ 50 bilhões nos últimos dois anos, fruto das incertezas geradas pela intermitente crise política que culminou com o afastamento da presidente Dilma Rousseff. O fraco desempenho brasileiro, somado à instabilidade no México por conta do efeito Trump foram responsáveis pela queda de 19% no investimento direto para a América Latina no ano passado, que alcançou US$ 135 bilhões.

Esse "pé atrás" dos investidores não foi nada exagerado. No mesmo estudo, a lista de temas que eles consideram mais importantes na hora de decidir onde aplicar seus recursos coincide com várias das deficiências brasileiras. Segurança interna, eficiência jurídica e regulatória para os negócios, complexidade tributária, capacidade tecnológica, transparência governamental e sensação de corrupção são tratados com mais relevância do que o tamanho do mercado interno ou a infraestrutura, por exemplo.

Mas o estudo considera tanto para o Brasil como para o restante do mundo que "o copo está meio cheio". A pavimentação de mudanças estruturais, como o encaminhamento de reformas previdenciária, trabalhista, tributária e até do sistema de educação foram citadas como vantagens competitivas para o futuro, assim como o estabelecimento de um teto para os gastos públicos. Na pesquisa, o número de investidores otimistas com o País nos próximos três anos praticamente empata com o número de pessimistas.