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Está cada vez mais difícil vislumbrar uma solução pacífica para a crise institucional na Venezuela. Na quarta-feira, um grupo de mascarados de orientação chavista invadiu a Assembleia Nacional, cercou deputados, funcionários e jornalistas e agrediu vários deles com porretes e pedras. Embora o presidente Nicolas Maduro tenha firmado não ser "cúmplice de atos de violência", um apresentador de programa populista da TV estatal assumiu ter organizado e incentivado a selvageria.

A revolta dos chamados "coletivos" contra o parlamento venezuelano se dá porque a casa legislativa virou desde 2015 um bastião de oposição ao regime de Maduro. A mais nova batalha está sendo travada contra a convocação pelo presidente de uma assembleia constituinte, marcada para o próximo dia 30. Os opositores consideram a iniciativa um golpe e sugerem que apenas um referendo popular poderia oficializar uma chamada para reformar a constituição.

Enquanto a política incendeia o país, a economia continua a derreter. No início deste mês, o presidente autorizou um reajuste de 50% no salário mínimo (o terceiro do ano), mas há escassez de produtos e os preços estão muito altos. Uma consultoria calculou que, mesmo com os tíquetes de alimentação fornecidos pelo governo somados ao salário, só dá para comprar um quarto da cesta básica mensal.

Recentemente, indústrias como a Pirelli e a Colgate-Palmolive interromperam a produção por falta de matéria prima. A Johnson & Johnson já havia feito o mesmo. Com as refinarias da PDVSA operando a 40% de sua capacidade, as importações de gasolina e diesel só fazem subir. Isso para um país que possui as maiores reservas de óleo bruto do planeta. Um venezuelano que dá aulas em Harvard calcula que uma recuperação econômica da Venezuela poderia levar até 15 anos.

Quando o governo é confrontado com tais números, monta um discurso sobre um grande complô do empresariado com interesses norte-americanos para desestabilizar a chamada revolução bolivariana.