-

A decisão anunciada ontem à noite pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de cortar em 0,75 ponto a taxa básica de juros soa alinhada com uma preocupação presente no mundo todo: estimular o crescimento econômico. Esse é o principal desafio da economia global em 2017, aponta a edição mais recente do relatório de riscos do Fórum Econômico Mundial, divulgado ontem.

O documento, elaborado em preparação para a reunião em Davos, na Suíça, disseca o contexto global que, desde 2016, mostra sinais de acirramento de tendências como o populismo e o nacionalismo. Exemplo mais eloquente é a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos. Mas também há evidências dessas características na ascensão de líderes mais alinhados à esquerda, como Andrés Manuel López Obrador, no México.

No Brasil, uma das condições para o crescimento econômico parece estar sendo dada agora, com o corte mais agressivo de ontem dentro do ciclo de afrouxamento monetário iniciado recentemente.

Outros ciclos de queda, porém, não foram suficientes para destravar o crescimento. O último deles ocorreu no governo de Dilma Rousseff. O contexto era outro. A política econômica de então enfatizava o crédito e o consumo, dobradinha que, de fato, deu fôlego à atividade por um bom período, até o ar começar novamente a ficar rarefeito.

Mas o que faltava naquele momento e que acabou por minar esse respiro era algo que ainda não está garantido: equilíbrio fiscal e aprovação de reformas impopulares.

Embora o governo de Michel Temer reforce quase diariamente o mantra do ajuste fiscal, as negociações com o Congresso e com os governadores mostram quão difícil é chegar a soluções efetivas, seja por ferir interesses de uma parte ou de outra - ou de todas.

Sem compromisso nesses pontos, o mais provável é que o Brasil siga na lanterna da corrida pelo crescimento. E, pior, mais suscetível aos desafios que, como aponta o relatório do Fórum Econômico Mundial, preocupam o mundo todo.