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Na noite de domingo, acompanhada do ex-presidente Lula e cercada por líderes de partidos que a apoiaram, a presidente reeleita Dilma Rousseff garantiu que vai trabalhar pela implantação das reformas, especialmente a política, por meio de uma consulta popular, um plebiscito.

"Fui reconduzida para fazer as grandes mudanças que a sociedade exige. Naquilo que o meu esforço e poder alcançam, estou pronta para responder a essa convocação. Sei das limitações de cada presidente e do poder de liderar as causas populares. Quero liderar da forma mais pacífica e democrática esse momento transformador. Estou disposta a abrir canais de diálogo com a sociedade". Vale lembrar que, em setembro do ano passado, o Congresso rejeitou a proposta enviada pela presidência de realizar um plebiscito com vistas à reforma política. Na ocasião, apenas três partidos apoiaram a proposta da consulta popular: PT, PDT e PCdoB. Dilma considerou a rejeição do Congresso um erro político. Assim, ela continua insistindo - já em sua primeira fala depois de reeleita - e aponta as manifestações populares de junho de 2013 como prova de que parte importante da sociedade quer mudanças já e quer ditar os rumos da reforma. Segundo ela, a população não estaria disposta a esperar por mudanças em 2016 ou 2018; e não aceitaria opinar só a posteriori, via referendo, sobre um "prato pronto" oferecido exatamente pela classe política, que rejeita. O referendo é a fórmula predileta da maioria dos partidos - oposição à frente - em caso de consulta popular sobre uma reforma política que não se sabe se será votada. Em pesquisa do Datafolha, em meio aos protestos populares, 68% dos entrevistados diziam apoiar o plebiscito. E 73% dos entrevistados se declararam favoráveis a discutir uma reforma política - reforma que nasceria com o plebiscito. As manifestações podem até ter alimentado a insatisfação contra o sistema político, mas o desagrado está presente há tempos, e só faz crescer. Levantamento feito em abril pela Fundação Perseu Abramo, apurou que 89% dos brasileiros defendiam a reforma política. E 75% a consideravam "muito importante".