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Na extensa fauna da política brasileira, o "percevejo de gabinete" é uma praga encontrada em todas as esferas do poder. São "representantes do povo" com afinidade política de ocasião que vivem nas salas de espera ou nos corredores do poder em busca de conseguir um cargo para algum aliado em troca de votos ou alianças eleitorais. Em algumas ocasiões, as operações da PF dos últimos anos têm servido como verdadeiro controle de pragas dessa categoria. A prisão do ex-ministro Geddel Vieira Lima é um exemplo.

Foi Geddel quem primeiro recebeu o apelido de percevejo. A alcunha foi criada em 2002 pelo então governador de Minas Gerais Itamar Franco. O político mineiro estava irritado com o colega do PMDB baiano que negociava a apoio do partido ao tucano José Serra nas eleições presidenciais daquele ano.

A carreira política de Geddel até permitia a associação. Filho de deputado federal, ele foi subindo de cargo em cargo na hierarquia do PMDB comandado pelo governador Nilo Coelho nos anos 80. Passou por Bandeb, Embasa e pela presidência local da Emater. Eleito para a Câmara dos Deputados em 1990, trocou socos com um aliado de ACM no plenário da Casa, foi investigado pelo CPI do Orçamento em 1994 e chegou ao Ministério da Integração Nacional no segundo mandato de Lula - mesmo tendo atuado como opositor na primeira gestão. Como era esperado, usou o cargo para beneficiar o estado da Bahia com emendas e projetos.

Na derrocada do governo Dilma, chegou pela primeira vez ao núcleo do poder em Brasília ganhando do amigo de longa data Michel Temer a pasta da Secretaria de Governo. Mas como bom percevejo, o apetite insaciável por benesses o levou a pressionar o ex-ministro da Cultura para liberar uma área tombada em Salvado e para a construção de um empreendimento imobiliário de alto padrão. Caiu, perdeu o foto privilegiado e foi preso na Operação "Cui Bono" por tentativa de obstrução da Justiça. A infestação de percevejos precisa de medidas urgentes de profilaxia.