A primeira revolução industrial iniciou na Inglaterra, no final do século 18, com a mecanização da produção e a utilização da energia a vapor. Na segunda metade do século 19 começou a segunda revolução industrial, que introduziu a produção em massa com a ajuda da energia elétrica.



Em um terceiro momento, em meados do século 20, uma etapa de importantes avanços no campo tecnológico - principalmente pela junção entre conhecimento científico e produção industrial - despontou a terceira revolução industrial, marcada pelo uso de eletrônicos e da tecnologia da informação para automatizar ainda mais a produção.



Em decorrência desse contexto, hoje vivenciamos a era da Indústria 4.0 (ou quarta revolução industrial), conceito ainda pouco aplicado no Brasil que surgiu em 2012 na Alemanha e tem sido utilizado para promover a informatização e a digitalização da manufatura. Em se tratando da Indústria 4.0 no setor industrial, fala-se de manufatura avançada, uma cadeia produtiva totalmente conectada na qual os processos são adaptáveis às necessidades de produção e produtos são customizados de acordo com as necessidades do cliente.



Lembra daquele conceito de ter foco no cliente? Ou de colocar o cliente em evidência? Dentro da Indústria 4.0, esse conceito persiste e ganha outros patamares. À medida que passamos a fabricar e desenvolver produtos mais personalizados, a fim de atender às necessidades individuais, o foco no cliente aumenta e ganha novos desafios. Por exemplo, a produção passa estar diretamente conectada a um cliente, passa a ouvir os comentários e movimentos nas redes sociais para que o produto seja melhor aceito.



Ou seja, não adianta apenas a fábrica estar totalmente conectada e integrada, se a equipe de desenvolvimento e marketing não ouve seu público consumidor.



Podemos analisar a vida útil de um produto e preparar algo novo para o cliente. Vamos imaginar um tênis, e quão valiosa seria a informação sobre a usabilidade de cada calçado de uma certa marca, detalhes sobre o desgaste da borracha, gel, palmilha, informações sobre passadas dos usuários, temperatura, tudo interconectado com a fábrica para desenvolver um produto cada vez melhor, direcionado e individualizado.



E é claro que a equipe de marketing não escapa dessa realidade. Com a adoção da Indústria 4.0, o Big Data e a Internet das Coisas sendo muito bem aplicados, nós, profissionais de marketing, temos uma grande responsabilidade na análise desses dados e informações necessárias a fim de que o consumidor final reconhecer as novas versões (individualizadas). Desta forma podemos investigar as necessidades das pessoas e direcionar as estratégias de marketing como uma mudança de layout, alteração física do item, como dor e design, agregar novas funcionalidades ou até mesmo decretar o fim do produto. Vale lembrar que o produto em questão pode ser um veículo, smartphone, relógio, tênis, ou até mesmo alimentos e bebidas.



Estamos apenas iniciando as mudanças em termos de conceitos e os impactos esperados serão tão profundos quanto os efeitos e influências das revoluções vivenciadas no passado. Neste momento, a responsabilidade do marketing se expande para entender o consumidor, aumentar as vendas e o reconhecimento da marca ao incorporar o conceito de Industria 4.0 trabalhando de forma integrada com outras tecnologias.



Allyson Chiarini de Faria é diretor de Marketing da Siemens PLM 



allyson.faria@siemens.com