Direto de Brasília Abnor Gondim Correspondente em Brasília
12/07/2017 - 09h26 | Atualizado em 12/07/2017 - 09h38

Maia já age passando por cima de Temer, diz Paim

Senador do PT reclamou que os governistas se deixaram levar por promessas de ajustes na reforma trabalhista via medida provisória feitas por um governo em queda

Maia: rejeição à promessa de Temer
Maia: rejeição à promessa de Temer
Foto: Reuters

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), mudou o tom de conciliador que o fez ascender ao posto no lugar do ex-deputado Eduardo Cunha, preso e condenado no rastro da Operação Lava Jato. E já assume ares de quem pretende assumir a Presidência da República nos próximos dias, passando por cima do presidente Michel Temer.

Essa avaliação foi feita na manhã desta quarta-feira (12) pelo senador Paulo Paim (PT-RS), ao comentar a afirmação feita por Maia em sua conta no Twitter, ao afirmar que a Câmara não vai votar nenhuma Medida Provisória (MP) que modifique o texto da reforma trabalhista aprovada na Câmara e aprovada ontem no Senado, sem alterações.

"A Câmara não aceitará nenhuma mudança na lei. Qualquer MP não será reconhecida pela Casa", afirmou Maia no Twitter.

O texto foi aprovado nesta terça-feira, 11, no Senado por 50 votos a 26 e segue agora para a sanção presidencial. Para conseguir o apoio da maioria dos senadores, o presidente Michel Temer prometeu a edição de uma MP para modificar alguns pontos da reforma, como a questão que restringir a jornada parcial de trabalho, o chamado trabalho intermitente.

 "A mim não surpreendeu", disse Paim há pouco, em entrevista à Rádio Senado, referindo-se à promessa feita pelo presidente Michel Temer de editar uma Medida Provisória (MP) para fazer ajustes solicitados pelos senadores para aprovar, sem alterações, o texto sobre a reforma trabalhista aprovado no Senado.

"No discurso que fiz durante a votação da matéria, eu dizia: 'O Senado é a Casa do equilíbrio, o Senado não pode deixar de ser sujeito de sua própria história. O Senado teve posição desde a aprovação da Lei Áurea, com relação ao parlamentarismo, se não o golpe de 1964 teria sido dado em 1961", detalhou.

Paim reclamou da posição dos governistas de terem aprovado a matéria, sem alterações, confiando nas promessas de um governo que está ameaçado de cair, se for aprovada a denúncia por corrupção passiva apresentada contra Temer pela Procuradoria-Geral da República.

"Sabendo que o presidente atual já está caindo e o outro já está querendo passar por cima dele para sentar rapidamente na cadeira, era o momento de o Senado parar e analisar e ver o que vamos fazer em nome do País, de um projeto de nação e não dando aval a um presidente que vai cair, no máximo em 15 dias.

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