Embora com forte potencial hídrico – a maior oferta hídrica individual do mundo – o Brasil vem enfrentando com mais frequência a falta desse recurso natural. A forma como governos, empresas e sociedade administraram a escassez da água será compartilhada no 8º Fórum Mundial da Água, de 18 a 23 de março, em Brasília. O evento, pela primeira vez no Hemisfério Sul, contará com a participação de 400 instituições de 70 países. Uma das principais contribuições será a do Estado de São Paulo, que adotou várias soluções para garantir o abastecimento durante a crise hídrica de 2014, entre elas o reuso de água e a utilização da reserva técnica por meio de bombeamento.

O exemplo de São Paulo

O economista e especialista em água e saneamento Pedro Scazufca, sócio da GO Associados, lembra que a crise hídrica ocorrida em São Paulo anos atrás está acontecendo agora em outros locais, pela primeira vez, caso do Distrito Federal, desafiando o Brasil na busca de equacionamento e compartilhamento de experiências, como a de São Paulo, que enviou as bombas empregadas na retirada da reserva técnica para mesmo procedimento em Brasília. Nesse momento, inclusive, a região metropolitana de Fortaleza (CE) também convive com o problema, sem falar na falta de água no sertão de Pernambuco. “As situações de stress estão ficando cada vez mais frequentes e saídas inovadoras começam a surgir”, diz.

Brasil na liderança...

“O Brasil tem um potencial hídrico grande, mas no saneamento básico, estamos muito atrasados. Hoje, só 50% do esgoto sanitário são coletados e, desses, apenas 40% são tratados”, enfatiza Pedro Scazufca. Além disso, a situação se agrava com o desperdício: em cada 100 litros de água produzidos, 37 litros são desperdiçados, em média no País. Em algumas capitais, esse indicador de perda passa de 50%. Diante dessa realidade, e das mudanças climáticas, é cada vez mais relevante a gestão da água, com medidas de economia circular para reduzir, reutilizar e reciclar.

...inclusive do desperdício

Dada a liderança do Brasil nesse tema – hoje, o presidente do Conselho Mundial da Água é um brasileiro, o professor Benedito Braga, representante da Escola Politécnica da USP –, não basta a existência de políticas públicas e empresariais sustentáveis. “É preciso chamar a atenção do cidadão comum para a finitude desse recurso natural”, declarou ao blog de Luis Nassif o diretor executivo do 8º Fórum Mundial da Água e diretor de Gestão da Agência Nacional de Águas (ANA), Ricardo Andrade. “É fazer com que o tema água entre na agenda do dia a dia do cidadão”, conclui.

Agenda caudalosa

O 8º Fórum Mundial da Água, em março em Brasília, é o primeiro evento de uma vasta agenda do tema neste ano. Dos oito eventos previstos, três vão ocorrer no Brasil. De 18 a 20 de janeiro, acontecer o 14º  Simpósio Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental, em Foz do Iguaçu (PR), e de 5 a 7 de novembro, o Rio de Janeiro sediará o Rio Water Week 2018. Em abril, em Paris (França), ocorrerá o Global Water Summit, em junho está agendado a Conferência e Exposição Anual (ACE 18), em Las Vegas (EUA). Os demais acontecerão em Singapura, Estocolmo e Nova Orleans.