Em uma semana que promete ser quente na política, com o início da tramitação, para valer, da denúncia contra o presidente Michel Temer (PMDB) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, e votação final da reforma trabalhista, amanhã, no plenário do Senado, na economia vários indicadores relativos a maio mostrarão a recuperação - ainda lenta ­- da atividade no segundo semestre, depois de mais dois anos de queda. O aumento da turbulência política pode prejudicar esse início incipiente de melhora. Enfraquecer a denúncia da Procuradoria Geral da República, cuja leitura na CCJ está prevista para hoje, e concluir a aprovação das mudanças nas leis trabalhistas, é fundamental para a sobrevivência de Temer.



 



Dependência da política



Ocorre, no entanto, que o arranque da tramitação da denúncia contra Temer na CCJ se dá em um momento desfavorável para o governo de plantão. Na semana passada já ficou bem claro que, inclusive os partidos e lideranças do Congresso aliados de Temer, junto com a oposição, já colocaram em marcha um plano para afastar o presidente e colocar em seu lugar o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ). A fidelidade jurada até semanas atrás ao governo que resultou do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), durou até seu declínio ficar evidente com a delação do proprietário da JBS Joesley Batista, e as sucessivas denúncias prometidas pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.



 



Engatando a marcha



Na quarta (12), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga a Pesquisa Mensal de Comércio (PMDC) de maio, que indicará alta de 0,8% no varejo restrito (sem automóveis de materiais de construção), na projeção da GO Associados. "Caso essa estimativa se concretize, será a segunda alta consecutiva do setor. O varejo ampliado também deve subir pelo segundo mês seguido, com alta esperada de 0,9%", prevê a consultoria. Na quinta (13), a Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE também apontará alta - de 1,2% na projeção da GO - ante abril, e da mesma forma que o varejo, deve engatar a segunda alta consecutiva na margem.



 



Leve melhora quase geral



E na sexta (14), o Índice Atividade Econômica (IBC-BR) de maio, uma prévia do PIB, deve apresentar alta de quase 1% em relação a abril. Também compõem esse quadro os  principais indicadores antecedentes, que apresentam avanço em maio. As vendas nos supermercados, medidas pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras), subiram 0,7%; o indicador de comércio da Serasa cresceu 0,6%; as vendas de veículos, segundo a Fenabrave, foram positivas em 3,3%, e a confiança dos consumidores também registrou alta de acordo com a FGV. Esse desempenho positivo decorre do ainda pequeno, mas positivo avanço da produção industrial em maio, de 0,8%.



 



Semestre menos pior



O escoamento da safra recorde de grãos e o cenário mais favorável para o consumo das famílias são outros fatores que contribuíram para esses sinais de melhora na economia, bem como o forte recuo nos índices de inflação e na taxa de juros, e a liberação dos recursos das contas inativas do FGTS. "Tudo isso deve fazer o consumo das famílias crescer na margem neste segundo trimestre, depois de nove trimestres consecutivos de queda", avaliam os analistas da consultoria. Mas o aumento da instabilidade política pode tornar esse processo de recuperação ainda mais lento. A semana dará algum indicativo disso.



 



 



Atraindo startups



O programa de aceleração Darwin Starter, com sede em Florianópolis (SC), inicia sua terceira turma de aceleração em julho. Startups do Norte, Sul e Sudeste do país integram o novo ciclo que terá seis meses de duração. A maior parte dos novos negócios vem de São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre. No total, 70% das selecionadas são de fora de Santa Catarina. As empresas foram escolhidas pelo seu potencial de mercado e espírito inovador e passaram por um funil que contou com 300 startups inscritas. O Programa conta com grandes empresas como parceiras corporativas, oportunidade que atrai empreendedores de todo o país. Para Marcos Mueller, CEO do Darwin, o diferencial dessa turma foi a maturidade das soluções: "A oportunidade de aproximação com grandes empresas incentiva startups com desenvolvimento já mais avançado a nos procurarem com interesse em receber mentorias dos nossos parceiros corporativos".



 



Expansão em auditoria



A BDO acaba de incorporar as operações da Performance, empresa com 27 anos de atuação e baseada em Salvador (BA). A fusão dá continuidade ao processo de expansão da consultoria, uma das líderes no setor. Desde 2014, a BDO já mantém um escritório na capital baiana e com a nova aquisição, passa a contar com mais de 1.500 profissionais no país, distribuídos por 22 filiais, e cerca de 3.600 empresas no portfólio de clientes, dos quais quase 70 de capital aberto. "A intenção é impulsionar cada vez mais nossa divisão de auditoria e fazer crescer nossa participação em segmentos como consultoria, imposto e outsourcing, preservando sempre o foco no atendimento ao middle market", avalia o presidente Raul Corrêa da Silva.