Causou espanto a muitos estudiosos do cenário político-econômico, a notícia de que, após uma década, volta-se ao assunto da terceirização do trabalho no Brasil. A prática, já adotada há décadas nas economias desenvolvidas, impulsionou enormemente os ganhos de produtividade, bem como o progresso social, e começou finalmente a deixar "os porões da Idade Média" do tradicional pensamento econômico obscurantista brasileiro. Ranço ideológico cultivado por alguns "iluminados" das Ciências Sociais e entusiastas do fortalecimento das amarras governamentais em todos os setores.



Quando quase toda a América Latina desmorona, vítima do intervencionismo governamental, não deixa de ser um alento aos cidadãos honrados, que não tiram seus respectivos sustentos do Estado, porém contribuem para o suporte dessas estruturas ineficientes e profundamente corruptas.



A leitura atenta dos artigos de profissionais de economia e finanças, relatórios de consultorias e bancos, o comparecimento às assembleias de empresas de capital aberto, o contato com pesquisadores e empresários traz uma única mensagem: apesar de alguns indicadores macroeconômicos terem melhorado em relação a 2016, isso não é suficiente para convencer as pessoas a consumir e investir.



As pesquisas a respeito da melhora das perspectivas para a economia brasileira não se coadunam com a realidade divulgada informalmente pelos agentes econômicos. E o problema é a falta de credibilidade na política. Afinal, foram tantas as mentiras que o nível de confiança simplesmente acabou. E a pergunta que as pessoas fazem é: Por que acreditar? O que virá no período pós-Temer? Só haverá mais um ano de mandato. Não há tempo para resolver grande parte dos problemas. Qual será a orientação ideológica do próximo presidente? Será que vale a pena arriscar, conhecendo o histórico da política econômica? É melhor não tomar riscos desnecessários.



Levará muitos anos para despertar o "espírito animal" do empresariado, até porque, na análise dos balanços de empresas altamente capitalizadas, nota-se que, quem pouco investiu na atividade produtiva, cortou custos trabalhistas e ficou com alta liquidez concentrada no mercado financeiro, remunerou bem o capital próprio, além de preservar o patrimônio com risco desprezível. Isso significa que empresários prudentes e capacitados, observadores das conjunturas econômicas e políticas locais e globais são sempre bem sucedidos, pois permanecem imunes ao "efeito manada".



Como já é sabido que a economia brasileira passa por solavancos a cada 4 ou 5 anos, podemos antever que, por volta de 2020/2022, conseguiremos a proeza de auto-produzir uma nova depressão econômica, independentemente do que ocorra no exterior. E a culpa, invariavelmente recairá sobre povos estrangeiros. Afinal, incompetentes sempre culpam terceiros por seus infortúnios. Nunca é demais relembrar que episódios de instabilidade econômica e política foram muito propícios a quem buscou aumentar e solidificar patrimônios, aproveitando-se da volatilidade do mercado, principalmente quem capitalizou-se, ao contrário da maioria que endividou-se.



Se nossas autoridades não entenderem que o empresariado tem que ser prestigiado, nunca seremos modelo para ninguém. Nenhum país pode ser forte se o setor privado estiver desmotivado e enfraquecido.



 



Fernando Pinho é economista e palestrante 



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