- A semana começa quente na política, com a entrega hoje do parecer na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, e votação final da reforma trabalhista, amanhã, no plenário do Senado; na economia, vários indicadores relativos a maio mostrarão recuperação, ainda lenta, no segundo semestre, após mais dois anos de queda. O aumento da turbulência política pode prejudicar o início incipiente de melhora. Enfraquecer a denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) na CCJ e concluir a aprovação das mudanças nas leis trabalhistas, são pontos fundamental para a sobrevivência de Temer na Presidência.

Dependência da política

O arranque da tramitação da denúncia na CCJ se dá em um momento desfavorável ao governo. Na semana passada ficou claro que aliados e oposição a Temer já colocaram em marcha um plano para afastá-lo, colocando em seu lugar o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ). A fidelidade jurada ao governo que resultou do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) durou até seu declínio ficar evidente, com a delação do proprietário da JBS Joesley Batista, e as sucessivas denúncias prometidas pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Engatando a marcha

Na quarta (12), o IBGE divulga a Pesquisa Mensal de Comércio (PMDC) de maio, que indicará alta de 0,8% no varejo restrito (sem automóveis e materiais de construção), na projeção da GO Associados. "Caso essa estimativa se concretize, será a segunda alta consecutiva do setor. O varejo ampliado também deve subir pelo segundo mês seguido, com alta esperada de 0,9%", prevê a consultoria. Na quinta (13), a Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE também apontará alta - de 1,2% na projeção da GO - ante abril, e como o varejo, engatar a segunda alta consecutiva na margem.

Leve melhora quase geral

E na sexta (14), o Índice Atividade Econômica (IBC-BR) de maio, uma prévia do PIB, deve apresentar alta de quase 1% em relação a abril. Também compõem esse quadro os principais indicadores antecedentes, que apresentam avanço em maio. As vendas nos supermercados, medidas pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras), subiram 0,7%; o indicador de comércio da Serasa cresceu 0,6%; as vendas de veículos, segundo a Fenabrave, foram positivas em 3,3%, e a confiança dos consumidores também registrou alta de acordo com a FGV.

Segundo semestre menos pior

O escoamento da safra recorde de grãos e o cenário mais favorável para o consumo das famílias são outros fatores que contribuíram para esses sinais de melhora na economia, bem como o forte recuo nos índices de inflação e na taxa de juros, e a liberação dos recursos das contas inativas do FGTS. "Tudo isso deve fazer o consumo das famílias crescer na margem neste segundo trimestre, depois de nove trimestres consecutivos de queda", avaliam os analistas da consultoria. Mas o aumento da instabilidade política pode tornar esse processo de recuperação ainda mais lento.

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