Direto de Brasília Abnor Gondim Correspondente em Brasília
18/05/2017 - 20h38

Só reformas fazem País voltar a crescer

Posição da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e de federações estaduais do setor é repudiada por centrais sindicais

Somente com a continuidade das reformas estruturais, o Brasil sairá da recessão e voltará a crescer.  É a opinião manifestada nesta quinta-feira (18) em nota emitida pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e das federações das indústrias dos estados.

Essas organizações empresariais entendem que as reformas trabalhista, previdenciária e tributária são essenciais para recolocar a nação no rumo certo e gerar postos de trabalho e renda para os 14 milhões de brasileiros que sofrem o flagelo do desemprego.

"A turbulência política não pode anular os avanços conquistados nos últimos meses nem frear o andamento das reformas estruturais", assinalou a nota. "O Brasil já venceu outras crises sérias. Vamos superar mais esse momento desafiador. Temos de continuar avançando", recomendam as entidades.

Eleições diretas

Em posição diversa, as centrais sindicais emitiram nota defendendo a antecipação de eleições gerais diretas para o Governo Federal e o Congresso Nacional.  Um dos que assinam a nota é o deputado Paulinho da Força (SD-SP), presidente nacional do Solidariedade, partido da base aliada de Temer em via de ruptura. Ele foi um dos parlamentares que mais atuou pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

A central sindical defende que o governo de Michel Temer não tem legitimidade. "O permanente esgarçamento das instituições republicanas, ocasionado pelas denúncias e acusações de corrupção, nos leva a considerar que falta legitimidade política e social ao governo para, num momento de grave crise institucional, política, econômica e social como a que estamos vivenciando, querer jogar sobre as costas dos trabalhadores e da parcela mais humilde da sociedade o custo do ajuste econômico representado pelas propostas de reformas trabalhista e previdenciária que tramitam no Congresso Nacional, às quais exigimos que sejam imediatamente retiradas da pauta da Câmara dos Deputados e do Senado Federal", consta na nota divulgada no portal da Força Sindical.

Além de Paulinho da Força, a nota da entidade é assinada pelos dirigentes sindicais, Antonio Neto (Central dos Sindicatos Brasileiros), Adilson Araújo (Central dos Trabalhadores Brasileiros), José Calixto (Nova Central Sindical dos Trabalhadores) e Ricardo Patah (União Geral dos Trabalhadores).

"Um moleque"

O vice-líder do governo na Câmara, Darcísio Perondi (PMDB-RS), insultou  nesta quinta-feira (18) o empresário Joesley Batista, ao classificá-lo como "moleque" e "brasileiro escroto". Joesley Batista, um dos donos da JBS, gravou conversa com Temer em que o presidente teria dado o aval para a compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) nas investigações da Operação Lava Jato.

De acordo com o vice-líder, Temer sequer cogitou a hipótese de deixar o posto. "Parece-me que ele tentou comprar a República", acrescentou, buscando ligar Joesley aos governos do PT.

?Impeachment

Para Perondi, o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), deve rejeitar todos os pedidos de abertura de processo de impeachment contra o presidente Michel Temer. É prerrogativa de Maia analisar a admissibilidade dos pedidos. "Ele, com certeza, vai rejeitar todos os pedidos", disse Perondi.

O peemedebista afirmou ainda que o questionamento de aliados é normal, mas que Temer é habilidoso no diálogo com parlamentares. Sobre o PSDB especificamente, Perondi disse que "é óbvio que o partido tem dúvida, mas está firme no governo". "É o Brasil dos novos tempos."

Com ou sem os tucanos

Mesmo que os tucanos desembarquem do governo Temer, Perondi garantiu que o PMDB seguirá no poder. Um dos parlamentares mais próximos ao presidente, Perondi disse ainda que Temer está indignado com as acusações e angustiado. "Como não ficar angustiado num momento desses?", questionou.

Debandada

Com uma bancada de 13 deputados, o PTN foi o primeiro partido da base aliada a anunciar oficialmente também nesta quinta-feira o rompimento com o governo Michel Temer. Em carta assinada pela presidente nacional do partido, deputada Renata Abreu (SP), e pelo líder da legenda na Câmara, deputado Alexandre Baldy (GO), a sigla afirma que assumirá posição de "independência" em relação ao governo.

"O Podemos (novo nome do PTN) e sua bancada na Câmara dos Deputados anunciam a sua saída do bloco parlamentar composto pelo PP e PT do B, outros partidos da base aliada, assumindo posição de independência do governo federal", afirmaram Renata e Baldy na carta. À reportagem, a presidente do PTN afirmou que o partido deverá entregar todos os cargos que possui atualmente no governo Temer.

O principal cargo comandado pelo PTN no governo é a presidência da Fundação Nacional de Saúde (Funasa). O partido ganhou o comando do órgão durante a votação da reforma trabalhista na Câmara em abril. Deputados da sigla ameaçaram votar contra a proposta, se não conseguissem o comando da fundação. O presidente Michel Temer, então, cedeu à pressão e deu o comando do órgão ao PTN.

Desoneração

Representantes dos setores têxtil, calçadista e de tecnologia da informação criticaram nesta quinta-feira, dia 18 o fim da desoneração da folha de pagamentos previsto na Medida Provisória 774/17. A partir de 1º de julho, esses setores voltarão a contribuir com 20% sobre a folha de pagamentos, no lugar de pagar uma alíquota de 4,5% sobre o faturamento.

A medida foi debatida em audiência pública das comissões de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços; e de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados. A MP integra o esforço do governo para cumprir a meta fiscal de 2017 (deficit primário de R$ 139 bilhões). A previsão de arrecadação é de R$ 4,75 bilhões.

Assuntos relacionados:

cnireformasjbsdebandada
Imprimir
Publicidade

Especial

Especial Leilões & Negócios

Versão digital (20/10/2017)

Para assinantes Assine o jornal impresso e tenha acesso total à versão digital.
Versão digital do DCI
Clique e assine hoje mesmo
Publicidade

Nós curtimos

TVB Nova Brasil FM Rádio Central AM
Uma empresa do
© 2017. DCI Diário Comércio Indústria & Serviços. Todos os direitos reservados.