São Paulo - O presidente Michel Temer disse que o ano de 2017 será fundamental para consolidar as políticas adotadas pelo governo no segundo semestre do ano passado. Entre as medidas citadas, Temer mencionou o teto de gastos para o setor público, a reforma da previdência, a reforma trabalhista e a reforma do Ensino Médio.

"Nos primeiros momentos, quando aqui chegamos, a sensação era de que isso levaria uns dois anos para serem completados. Muito bem. Em seis meses, contando a efetividade e a interinidade, nós levamos adiante todas elas", afirmou Temer ontem (11), em coletiva no Palácio do Planalto.

O presidente destacou que as medidas foram apresentadas em meio a momentos "razoavelmente tumultuados", com uma oposição "legítima e aguerrida". "Naturalmente isso poderia nos impedir de fazer, e ao contrário, o que nós levamos adiante foi exatamente fazer."

Temer disse ainda que todas as medidas do governo podem ser alvo de críticas da imprensa. "Muitas e muitas vezes a crítica corrige rumos. Temos essa concepção democrática fundamental."

Sobre a proposta de reforma trabalhista, Temer disse que haverá um longo debate no Congresso Nacional. "Aqui vai uma marca do governo, a marca do diálogo. Nós conseguimos harmonizar, ainda que minimamente, as relações entre empregados e empregadores", afirmou. "Penso que ela tramitará com maior facilidade. Claro que haverá objeções e eventuais alterações, e isso cabe ao Congresso Nacional."

O presidente destacou ainda a liberação de recursos de contas inativas do FGTS e a redução dos juros do crédito rotativo do cartão de crédito. "Isso pode injetar muitos bilhões de reais na economia", afirmou. "Tivemos logo a compreensão, pelo diálogo, com aqueles que mantêm os cartões de crédito, e com isso o chamado crédito rotativo está sendo reduzido a menos da metade dos 480% de juros. Isso é mais um dado que teve grande e boa receptividade", completou o presidente.

Ministério em aberto

Mais tarde, em reunião com deputados e senadores na qual foi apresentada a proposta de criação do Ministério da Segurança Pública, Temer evitou se posicionar a favor ou contra a nova pasta, mas deixou em aberto a discussão sobre o tema. A informação foi prestada pelo deputado Alberto Fraga (PMDB-DF), em entrevista, após o encontro.

Segundo o deputado, o presidente pediu que "mais informações técnicas" sobre a possibilidade de criação da pasta sejam apresentadas a ele para que o assunto volte a ser discutido, mas não marcou uma data para uma nova reunião ser realizada. O deputado Fraga reiterou ao presidente as críticas já feitas ao Plano Nacional de Segurança Pública e criticou o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, alegando que ele "não conhece a fundo os problemas dos estados".

No encontro, Moraes, questionado por Temer, se posicionou contra a criação do Ministério da Segurança Pública, que esvaziaria completamente a pasta que comanda. Ele não é o único contra. Temer, no entanto, tem se mostrado "simpático" à ideia e "aberto a discussão" sobre o tema, mas sabe o quanto ele delicado.

Apoio anterior

Aos deputados, o presidente preferiu dizer que "não tem posição técnica formada sobre o assunto", embora em 2002, tenha sugerido ao então candidato ao Planalto, José Serra, a criação da pasta.

O governo sabe que a criação de uma nova estrutura geraria uma disputa política em torno do cargo, podendo criar uma nova instabilidade política, e implicaria, obrigatoriamente, em aumento de despesas com desmembramento de órgãos, o que é considerado inapropriado em momento de crise econômica e contenção de gastos por parte da gestão.

Pela sua proposta, Fraga quer levar para a nova pasta, tirando da Justiça, a Polícia Federal, que está com as investigações da Operação Lava Jato. Temer apenas se comprometeu com os parlamentares a ler todos os documentos.