17/10/2013 - 00h00

Situação difícil para cidades do litoral paulista

As cidades do litoral paulista enfrentam uma situação muito difícil de equacionar: a pequena parcela do território disponível para utilização. O zoneamento ambiental não permite nem moradias

Paulo Schiff é jornalista e escreve às terças e quintas para o jornal DCI

As cidades do litoral paulista enfrentam uma situação muito difícil de equacionar: a pequena parcela do território disponível para utilização. O zoneamento ambiental não permite nem moradias nem investimentos produtivos na maior parte das áreas ainda não urbanizadas.

Isso se deve ao fato de que boa parte do que sobrou da Mata Atlântica original se encontra em todas essas cidades.

Quantificando dá para avaliar melhor essa questão. As 15 cidades litorâneas juntas têm uma fatia de apenas 3% do território estadual. Mas 22% das florestas preservadas no Estado estão aí.

A área de Mata Atlântica representa um pouco mais de 3/4 do total da área do litoral. Sobra apenas 1/4 para utilização urbana. E esse 1/4 está a caminho da saturação.

Duas pressões se sobrepõem para a utilização das áreas remanescentes com possibilidades de uso urbano. Uma é a habitação. A outra, o uso comercial, industrial e de serviços que incluem o turismo.

Nos últimos dez anos, os censos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) mostraram um crescimento da população do litoral superior à média estadual e também à média nacional.

As 470 mil moradias permanentes do censo de 2000 saltaram para 600 mil em 2010, quando a população somada das 15 cidades atingiu a marca de 1,9 milhão de habitantes. O pesquisador Rodolfo Amaral, jornalista, faz uma projeção de mais 110 mil moradias para um acréscimo de 350 mil habitantes até 2030.

A qualidade de vida, o aumento da movimentação portuária e a exploração do petróleo da Bacia de Santos são os três vetores desse crescimento.

A situação vai exigir das cidades um planejamento cuidadoso da utilização futura das áreas que sobraram. Um detalhe importante: um planejamento conjunto, regional, coisa que elas nunca conseguiram nem esboçar.

Elevação do nível do mar

Um assunto que provoca um silêncio constrangido nas autoridades do litoral paulista é a elevação do nível do mar. É como se fosse coisa para o século 30. Não é. O ano de 2012 representou um dos piores anos da história recente no aumento do nível dos oceanos. As projeções feitas pelos institutos de pesquisa científica são tétricas. O Conselho Nacional de Pesquisas dos Estados Unidos divulgou a previsão de que essa elevação vá chegar a um valor entre 50 e 140 cm até 2100. O Painel Internacional de Mudanças Climáticas da ONU - IPCC - também converge para valores muito próximos desses.

O oceano está mais quente. Esse é um dos fatores da elevação. E o degelo é uma realidade.

Muitas praias tem tido diminuições do tamanho da faixa de areia. A Ponta da Praia, em Santos, tem enfrentado ressacas cada vez mais fortes. Mas esse fenômeno tem sido creditado à dragagem de aprofundamento e alargamento do canal de acesso ao Porto, assim como a erosão do caminho de Santa Cruz dos Navegantes, em Guarujá.

A questão precisa ser encarada porque essa elevação prevista não vai acontecer no dia 31 de dezembro de 2099. Ela já está em curso. É gradativa. A preservação da área existente vai exigir obras. Que são possíveis. Mas que não são baratas. É outra situação que exige planejamento cuidadoso e conjunto.

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