SÃO PAULO   Autoridades públicas e empresários do Peru e do Brasil irão discutir um projeto que visa a erguer uma nova linha férrea, a qual conectará a cidade brasileira de Cruzeiro do Sul à localidade amazônica peruana de Pucallpa. A declaração neste sentido foi dada por Carlos Paredes, ministro dos Transportes e Comunicações do Peru. "Concordamos em trocar informações sobre os planos em cada um dos países a respeito desse projeto de unir as duas cidades [por via férrea]", disse Paredes. "Será uma maneira para que a produção brasileira possa se conectar com o Oceano Pacífico."



Por seu turno, o presidente regional do Departamento (estado) peruano de Ucayali - cuja capital é Pucallpa -, Jorge Velásquez, destacou que existe um banco brasileiro disposto a financiar as despesas de elaboração do expediente técnico e também dos levantamentos de factibilidade da iniciativa, cujo custo gira em torno dos US$ 500 milhões. O trem poderia chegar até mesmo ao Porto de Chimbote, no litoral peruano, dependendo dos entendimentos entre os governos daquele país e o brasileiro, disse a autoridade.



"Com esta rede ferroviária, Ucayali crescerá muito e haverá mais postos de trabalho", afirmou Velásquez, enfatizando que será beneficiada a produção peruana de tomate, cebola e outros recursos agrícolas demandados pelo Brasil.



O presidente regional acrescentou que autoridades e investidores do Brasil que apoiam o projeto visitarão Pucallpa de 12 a 15 de julho, por ocasião de uma feira regional, quando avaliarão a oferta de produtos da região amazônica peruana.



Ferrovia Transcontinental



E o governo federal também tem planos de erguer uma linha férrea - a qual seria batizada de Ferrovia de Integração do Centro-oeste (Fico) - ligando Campinorte, em Goiás, a Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso. As obras, que no total terão 1.600 km, devem começar pelo trecho considerado prioritário, de 1.000 km. O objetivo final do projeto é chegar a Porto Velho, capital de Rondônia.



O mesmo é parte de uma ideia ainda maior: a Ferrovia Transcontinental, que, com seus 4.400 quilômetros, ligaria o litoral do norte do Rio de Janeiro a Rondônia e daí até o Acre e o Peru, chegando ao Oceano Pacífico - em uma possível conexão com a linha férrea que já está nos planos de ambos os países.