SÃO PAULO -  As operações populares e específicas de artigos para festas têm conseguido lucrar com as vendas de artigos para a Copa do Mundo de maneira acima do esperado. Com incremento de vendas de até o dobro, redes como a Festas e Fantasias e Animafest, especializada na venda de itens temáticos, comemoram incremento expressivo nas vendas e, com isso, o otimismo tem crescido com o passar dos dias.



Segundo o sócio-diretor da Animafest, Gustavo Lucas, a estimativa é de vendas 30% maiores na comparação com a Copa de 2010. "Trabalhamos com artigos específicos para festas e ganhamos uma data sazonal a mais no ano", disse ele. Para Lucas, quando a comparação é com o mês de maio de 2013, o incremento nas vendas será de 50% e o tíquete médio de compras de artigos específicos da Copa foi de R$ 40. "No ano passado, esse mês era apenas para as vendas de artigos de festa junina, por isso essa alta", explicou. Entre as categorias mais procuradas e que precisaram de reposição nas lojas da rede - que atua com maior ênfase no interior de São Paulo, além das vendas virtuais e pretende faturar de R$ 2 milhões até o final de julho - estão as vuvuzelas e as cornetas, além das bandeiras de capô de carro. "Esses foram os produtos que tiveram uma procura imensa", afirmou o executivo.



No mesmo segmento e também especializada em artigos decorativos, a Festas e Fantasias é outra empresa que comemora o aumento nas vendas com a chegada do Mundial da Fifa. Registrando 100% de crescimento nas vendas nas duas últimas semanas, a companhia superou o faturamento visto na última Copa, em 2010. "Esperávamos crescer cerca de 30%, assim como as outras lojas da região. As vendas superam, porém, as nossas expectativas, sendo que a demanda mais que dobrou nas últimas semanas", contou o proprietário do empreendimento, Pierre Sfeir. Segundo ele, as bandeirinhas são as campeãs de venda, seguidas de chapéus e perucas. "As bandeiras do Brasil são um sucesso, vendemos das pequenas até as que possuem mais de 10 metros de comprimento. Os óculos com as cores do País e tintas para o rosto também estão com um bom volume de vendas, assim como as decorações de rua e buzinas".



Preparado para atender a demanda que ainda está por vir, o empresário conta que está no ramo há 40 anos e nunca viu tanta empolgação por parte dos clientes. "As pessoas estão muito animadas, acredito que seja pelo fato do evento ser no Brasil. Atendemos muitas famílias, que deixam na loja de R$ 100 a R$ 200 em produtos, mas nossos principais clientes ainda são o varejo, bares e restaurantes, além de prefeituras", afirmou Sfeir. Conforme o empresário, as greves ocorridas na capital desde o mês passado têm afetado os negócios na região, o que preocupa os lojistas. "Na quinta e sexta-feira tivemos queda de 80% nas vendas, isso porque as pessoas utilizam o metrô para vir fazer compras na 25. Se tudo voltar ao normal pretendemos recuperar o prejuízo até abertura da Copa".



Lojas da 25 de Março



Uma das maiores redes de artigos de papelaria, brinquedos e brindes, o Armarinhos Fernando, analisa as vendas por conta do Mundial. Segundo o gerente-geral da empresa, Ondamar Ferreira, a loja na Rua 25 de Março conseguirá até 12 de junho, dia da abertura da Copa do Mundo, ter alta nas vendas de 12% frente a Copa de 2010. "A maior procura por artigos da Copa do Mundo começou por volta do dia 1º de junho. Até a última sexta-feira, 6, nossas vendas tinham acumulado alta de 9% na comparação com 2010", disse Ferreira.



As projeções da rede estão bem acima da União dos Lojistas da 25 de Março e Adjacências (Univinco). A entidade estima que as vendas para a Copa sejam 6% maiores na comparação com o evento de 2010, mas com a demanda crescente no começo deste mês a projeção pode ser revista nos próximos dias, informou a assessoria da entidade. Ferreira, do Armarinhos, ressaltou, porém, que no mês de maio, até o dia 20, a maior procura pelos artigos ficou por conta de comerciantes de outros estados, em especial os atacadistas. "Eles vieram abastecer as lojas para ofertar produtos em suas cidades-sede", explicou.



Ferreira acredita que nos próximos dias as vendas sejam ainda melhores. Entre os produtos que tiveram de ser repostos nos últimos dias, o gerente-geral do Armarinhos Fernando destacou as vuvuzelas, as cornetas, as bandeiras para o capô de carro e suportes para o retrovisor de automóveis. A rede comprou produtos apenas produzidos pelas indústrias brasileiras, assim a reposição é mais rápida. "Com os artigos importados não conseguiríamos fazer reposição, optamos pela indústria nacional". Ferreira afirmou também que, a procura pelos itens tem sido de consumidores brasileiros, e que a rede só tem oferecido aos estrangeiros chapéus de outras seleções. "Nos preocupamos em ter na loja uma grande variedade de produtos da seleção brasileira. Das seleções internacionais estamos vendendo apenas chapéus."



Shopping centers



Enquanto as lojas de artigos especializados e o comércio popular ampliam seu faturamento com vendas por conta da Copa, os lojistas que atuam em shopping centers têm sentido uma retração em suas vendas. Durante a abertura da Expo ABF Franchising, feira de franquias ocorrida na última semana, em São Paulo, o diretor executivo da ABF, Ricardo Camargo, ressaltou a possibilidade de vendas menores para os lojistas do setor que atuam em centros de compras, entre junho e julho. "Muitas franquias operam nos shoppings e como muitos vão trabalhar em horário alternativo por conta dos jogos da Seleção Brasileira, é possível que se tenha uma queda nas vendas".



O executivo evitou usar um tom alarmista e enfatizou que antes de qualquer conclusão sobre um possível efeito negativo por conta da Copa preferia esperar a consolidação dos dados de vendas. "Tem sido um ano difícil, mas não podemos afirmar que a Copa do Mundo terá um efeito negativo para as franquias que operam nos shoppings brasileiros", disse.