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13/09/2017 - 17h45

Dilma fez pouco para reduzir déficit em infraestrutura, diz ex-presidente da EPL

BRASÍLIA - Um dos principais conselheiros da ex-presidente Dilma Rousseff em temas de infraestrutura, o ex-presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL) Bernardo Figueiredo reconheceu nesta quarta-feira, 13, que, apesar de dispor de recursos abundantes, o governo anterior "não fez muita coisa" para reduzir o déficit em investimentos em infraestrutura do País.

Ele estima que o Brasil tenha hoje uma deficiência de R$ 1 trilhão em investimentos em infraestrutura, ante os cerca de R$ 600 bilhões da época em que foi elaborado o Programa de Investimentos em Logística (PIL). Ele participou do 10º Congresso Brasileiro de Rodovias e Concessões, promovido pela Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR).

Num painel que discutia corredores logísticos estratégicos, Figueiredo afirmou que o diagnóstico sobre os problemas na infraestrutura brasileira é consensual. "O que falta é fazer", disse. E a experiência dos programas de investimento do governo Dilma mostrou que o País não está preparado para executar um programa ambicioso no setor.

"Nos tempos das vacas gordas, quando havia dinheiro, o governo se deparou com problemas como a falta de engenheiros e até de máquinas. Tínhamos orçamento tranquilo. Bons tempos, talvez tenhamos exagerado um pouco", comentou.

O ex-presidente da EPL alertou que o estrangulamento da capacidade de execução de investimentos continua presente. Ele defendeu que, diante do atual cenário de escassez de recursos, seja dada prioridade à elaboração de projetos. Do contrário, o País perderá tempo quando o quadro econômico melhorar.

A falta de infraestrutura é hoje um empecilho à expansão da fronteira agrícola brasileira, afirmou o consultor de infraestrutura da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Luiz Antônio Fayet, no mesmo painel. Ele disse que o produtor agrícola brasileiro paga hoje um custo de transporte quatro vezes superior ao de seus concorrentes. "Isso aborta oportunidades de mercado", afirmou. Ao contrário de seus principais concorrentes na produção de grãos, os Estados Unidos e a Argentina, o Brasil tem terras para expandir sua produção.

Estadão Conteúdo

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