São Paulo - Em meio a um cenário de retração econômica, as agências de publicidade enfrentam dificuldades na hora de conseguir novos clientes. Para especialistas, a estratégia está na retenção das antigas contas e na captação de pequenas e médias empresas (PMEs).

É provável, contudo, que o surgimento de novos clientes aconteça só no segundo trimestre de 2015. É o que afirma o vice-presidente da Associação dos Profissionais de Propaganda (APP) de Campinas, Luiz Carlos Corrêa. Por isso, diz ele, o foco está na manutenção do mercado, ou seja, retenção dos clientes e na conquista de pequenos e médios empresários.

Para ele, as PMEs têm crescido muito nos últimos anos e muitas vezes não sabem como investir em publicidade e o que precisam é de alguém que apresente uma boa ação para seu negócio, ressalta. "Agências de outras regiões já perceberam isso e têm vindo para o estado procurar essas potenciais contas", explica.

De acordo com o executivo, a realização de pequenas ações pode ser também uma forma de fidelizar futuros clientes grandes. "Se a PME cresce e a agência tiver colaborado, será contratada. E muitas vezes um cliente faz toda a diferença para uma agência de publicidade expandir", diz.

Mercado

Atualmente, o mercado de propaganda - agências de publicidade, anunciantes e veículos de comunicação - movimenta no Brasil mais de R$ 30 bilhões por ano. A perspectiva do setor para 2015 é que atinja alta acima da inflação. "Entre 9% e 10%", diz o presidente da agência de propaganda Rino Com, Rino Ferrari Filho.

Segundo ele, as perspectivas podem ser incertas, mas é uma oportunidade de ativar novos negócios. "Quando tudo está muito bom, significa que as empresas não precisam de nós", brinca o empresário. O cenário de retração econômica, para Ferrari, pode ser a oportunidade das agências diversificarem produtos e provarem a eficiência dos negócios.

"O setor deve ser o motor para reaquecer a economia do País", completa o empresário. Para ele, um dos maiores desafios para o setor é a comunicação no meio digital. "Há 10 anos existe, mas a novidade não passa porque sempre estão surgindo novos formatos e novas mídias sociais".

A dúvida mais atual é como essas empresas especializadas em pesquisa e desenvolvimento se encaixam nos atuais modelos de negócio. "Será que devem fazer parte das agências ou são prestadoras de serviço. Em que parte do desenvolvimento participam", conclui.

Conforme Rino, o mercado de comunicação precisa constantemente se adaptar às novas áreas da tecnologia e descobrir como encaixar o setor em sua empresa. "É uma dúvida que deve ser discutida por agências e anunciantes".

Mercado

Preocupada com a autorregulação do setor, a APP firmou ontem parceria com o Conselho Executivo das Normas-Padrão (Cenp). O principal objetivo é incentivar e divulgar os estudos, normas e informações do segmento. "É importante que as relações comerciais do mercado sejam realizadas de acordo com as normas federais para proteger os elos do mercado", afirma o presidente do Cenp, Caio Barsotti. A autorregulação, para ele, protege o dia a dia dos negócios desde o setor de produção até a divulgação. O conselho possui cerca de três mil empresas entre agências certificadas e entidades associadas. No entanto, a APP é a única parceira que representa profissionais. "Desde o começo participamos das discussões do Cenp. Mas, oficializar a parceria ajuda na promoção das normas", diz o presidente da APP, Ênio Vergeiro.