SÃO PAULO -  Se as grandes capitais do sudeste estão saturadas, vamos para o resto do Brasil. Esta é a opção da Transportadora Americana (TA) que, a partir de sua sede paulista, está investindo para crescer no sul e no nordeste do País, principalmente. A empresa acaba de inaugurar novas instalações em Porto Alegre, ao passo que seu braço logístico, a Talog, abriu mais um centro de distribuição no Município de Simões Filho (BA), ao lado de Salvador. Os investimentos do grupo (R$ 10 milhões só em 2012, até o momento) espalham-se ainda por Viana, no Espírito Santo (onde foi erguida uma estrutura de 2 mil metros de área construída que realiza mais de 12 mil despachos por mês) e por Fortaleza, Recife e também Cajamar, na Grande São Paulo. Antes disto, uma filial da organização já fora aberta em Itajaí (SC).



"Estamos direcionando nossos recursos para o interior do Brasil. Nosso objetivo é dividir o nordeste em três sub-regiões logísticas, com um centro de distribuição nosso em cada uma delas", explica Celso Luchiari, diretor-presidente da TA. "Vamos aumentar nossa capacidade onde a demanda está avançando." A companhia, revela ele, espera faturar R$ 275 milhões até o final deste ano, contra R$ 250 milhões que levantou em 2011. Além de multiplicar suas instalações pelo interior do Brasil, a transportadora aposta na condução de bens de alto valor agregado para atingir tal crescimento de receita: "Optamos por servir a setores como o farmacêutico, eletroeletrônico, o de cosméticos e o têxtil, prioritariamente, além de também estarmos de olho no e-commerce". Em 2012, a Transportadora Americana quer ir aonde está o dinheiro e o crescimento econômico no País.



Por enquanto, Brasil



Até o início deste ano os executivos da organização estavam com outro foco: a TA cogitava seriamente abrir centros de distribuição na Argentina e no Chile, queria expandir-se para o exterior. Mas, com a boa resposta das operações que já possuía no interior do Brasil, investir internamente tornou-se para ela prioritário. Os planos de internacionalização foram adiados.



Aportes em TI também fazem parte da estratégia. A companhia acaba de concluir a adoção do sistema de gestão administrativa ERP Protheus, concebido pela maior fabricante de softwares empresariais do Brasil, a Totvs. "O processo de adoção deste sistema foi trabalhoso, mas valeu a pena", conta Shirley Rosseto, gerente de Sistemas de Informação da empresa. "A TA não escolheu o jeito fácil, customizando sistemas já existentes. Partimos do zero e adotamos na íntegra o ERP Protheus. Tanto esforço agora nos poupará grandes investimentos em atualizações futuras e nos garantirá maior confiabilidade do processo em toda nossa cadeia de gestão". A Transportadora investiu R$ 2 milhões na implantação do sistema da Totvs em suas operações.



Multimodalidade



Fundada em 1941, a TA está sediada em Americana, no interior de São Paulo. Desde 2002 a empresa mantém um acordo comercial com a operadora logística americana FedEx que lhe dá acesso a uma rede mundial de transporte. A Transportadora Americana pertence a duas famílias, os Luchiari e os Panzan. Hoje ela é a 20ª maior companhia de transporte rodoviário de carga do Brasil, em uma escala que é liderada por suas concorrentes JSL, Tegma Gestão Logística e Sada Transportes e Armazenagens. A TA conta com uma frota de 1.250 veículos e 3.500 funcionários.



A empresa, no momento, está preocupada com a questão do roubo de cargas - assunto recentemente tratado no DCI. "Este é um dos principais problemas do setor de transporte no que diz respeito ao chamado custo-Brasil. É algo que começa mesmo a inviabilizar certos tipos de operação", afirma Luchiari. "O roubo de carga continua aumentando e, para as transportadoras, representa um custo extra da ordem de 10 a 12% do faturamento".



O uso de outros meios de transporte em conjunto com o rodoviário - a chamada multimodalidade - é outro tema que frequenta as conversas dos executivos da Transportadora Americana. "Isto surge em consequência da necessidade de baixar os custos. No nosso caso usamos de forma integrada os modais rodoviário, aéreo e a navegação de cabotagem, o que tem nos trazido ganhos de produtividade no transporte de mercadorias".



BNDES



Ontem o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, informou que o governo anunciará um programa de investimentos em logística. Em encontro com empresários do agronegócio, Coutinho disse que "um grande esforço que será feito vai ser anunciado nas próximas semanas, de investimentos em logística". Na semana passada o executivo já dissera que o BNDES poderá financiar, em condições bastante favoráveis, os projetos na área de logística que deverão ser concedidos à iniciativa privada ainda neste ano. "Este é um setor prioritário para o governo, porque os gargalos nos sistemas logísticos brasileiros afetam os custos da indústria de serviços e precisam de investimentos com urgência". O governo deseja incentivar a presença do setor privado em concessões da área de logística, principalmente a portuária, a ferroviária e a rodoviária, garantiu o executivo.