Arte em ebulição

patrocínio:

07/09/2012 - 00h00 | Atualizado em 07/09/2012 - 01h27 Comentarios nesta notícia: 1

Arte em ebulição

O percurso de Lygia Clark começou em 1947, como aluna de Burle Marx, no período de 1950 a 1952 estudou com Leger, Arpad Szenes e Dibrinsky. As suas pinturas de 1953 se estruturam ...

José Henrique Fabre Rolim /

foto: DivulgaçãoArtes Plásticas

Artes Plásticas

O percurso de Lygia Clark começou em 1947, como aluna de Burle Marx, no período de 1950 a 1952 estudou com Leger, Arpad Szenes e Dibrinsky. As suas pinturas de 1953 se estruturam na forma e no espaço, mas em 1954 introduz a linha como modulador da composição. De 1954 a 1956, faz parte do Grupo Frente, criando superfícies modulares e maquetes integrando pintura à arquitetura.

Em 1959 assina o Manifesto Neoconcreto e participa da Exposição de Arte Neoconcreta, no Rio e Salvador. No ano seguinte participa da II Exposição de Arte Neoconcreta e na Konkrete Kunst de Zurique. Desta época se destacam os contra-relevos, superfícies modulares, nos quais o espaço é anulado e reconstruído tendo como referencia figuras geométricas. Os famosos não objetos, expostos em 1960, são construções móveis no espaço e os Bichos, pesquisados profundamente entre 1960 e 1964 buscavam o tempo e o avesso do espaço. Na obra "Caminhando" utiliza a fita Moebius com a finalidade de alcançar a pureza da forma, de 1963, na mesma época das "Pesquisas abrigos arquitetônicos". Em 1968 floresce então os espaços vivenciais, denominados "A Casa é o Corpo". Suas pesquisas vão da pintura à escultura, passando pela arquitetura buscando o espaço real. A sua primeira individual ocorreu, em Paris, em 1952, tendo participado de seis bienais de São Paulo, conquistando em 1961, o prêmio de melhor escultora brasileira e em 1963 ganha uma sala especial, expôs no Guggenheim Internacional, em Nova York, em 1959, como artista convidado. Residiu em Paris de 1970 a 1976.

A sua obra é revista nesta atual mostra com uma incursão profunda, ela declarava ser uma não artista, sendo uma referencia para se compreender o movimento construtivo brasileiro. A participação do público em seu trabalho é uma característica marcante possibilitando um diálogo notável com a sutileza de sua produção. Obras jamais vistas estão presentes como Cinto-Diálogos e Filme Sensorial, permitindo assim uma leitura ampla pelas diversas fases de sua trajetória artística. Os limites da modernidade na pintura e na escultura manifestam-se nas Superfícies Moduladas, nos Bichos e nos Trepantes alcançando a descoberta sensorial do corpo.

A mostra teve o apoio estratégico da Associação Cultural "O Mundo de Lygia Clark" com sede no Rio de Janeiro que possui um precioso acervo formado por mais de 6 mil imagens e farta documentação além de uma biblioteca que acolhe livros e catálogos sobre a artista. O objetivo primordial da instituição é propagar a importância de uma obra visionária que estava além de seu tempo.

Uma visão antológica

O Museu de Arte Moderna - MAM (Parque do Ibirapuera) apresenta uma grande mostra "Histórias às Margens" de Adriana Varejão com 42 obras propondo uma antológica visão de sua produção iniciada nos anos 80. Dentre as obras expostas se destacam "Extirpação do Mal por Incisura" (1994) e "Reflexo de Sonhos no Sonho de Outro Espelho", um estudo sobre Tiradentes de Pedro Américo, 1998, ambas exibidas em Bienais passadas respectivamente na 22º e 24º. Algumas peças expostas são provenientes do Tate Modern de Londres, da Fundación la Caixa de Madri e do Guggenheim de Nova York, sua obra alcança altos valores nos leilões internacionais como na Christie's, onde a pintura "Parede com incisões à la Fontana II" de 2001 foi vendida por US$1,7 milhão.

Dentre as obras expostas se destacam um grande painel de 18 metros de extensão formada por 54 módulos, azulejos com plantas carnívoras e dois outros trabalhos realizados especialmente para a mostra um que retrata a Baía da Guanabara e um prato no estilo chinês ambos da série Terra Incógnita, iniciada nos anos 90 e retomada pela artista.

A sua obra é calcada numa visão do passado, cartografias do século XVII, iconografia sobre canibalismo, as pinturas de Taunay, de Pedro Américo, enigmáticas pinturas chinesas, a tradicional azulejaria chegando até a cerâmica de Bordallo Pinheiro que prima pela extravagância. Certas obras fazem uma releitura do barroco, Varejão redimensiona o seu olhar histórico para uma linguagem contemporânea com contrastes inovadores, fazendo o espectador viajar por épocas diversas, mas centrado no dinamismo das erupções cromáticas e formais. Outras atrações se alinham no espírito da Bienal como a individual de Aluísio Carvão (1920-2001), um renomado concretista participante do Grupo Frente (1954-1956) em cartaz na Galeria Bergamin (Rua Rio Preto, 63, Jardins) e a individual de Anna Maria Maiolino na Galeria Millan (Rua Fradique Coutinho, 1.360, Vila Madalena) com obras realizadas entre os anos 2005 e 2012.

 

 

Assuntos relacionados:

cultura & lazerdci


Seu e-mail não será divulgado.
Leia nossa política de privacidade.


Compartilhe sua opinião no Portal DCI e certifique-se que seu comentário está de acordo as Termos de uso do site.

Cadernos Especiais

Micro, Pequenas e Médias Empresas

Cultura & Entretenimento

DCI Entrevista

Versão eletrônica (02/09/2014)

Assine o jornal impresso e tenha acesso total a versão eletrônica. Conteúdo exclusivo para assinantes. Clique aqui e assine!

DCI no iPad, iPhone e Android

app-apple-store app-google-play
Veja mais: TVB Rádio Nova Brasil FM Rádio Central AM
Uma empresa das Organizações Sol Panamby

Fazer login no DCI






Não possui login? Faça seu cadastro gratuito!

Problemas para acessar?