Tecnologia & Inovação
18/12/2014 - 09h58 | Atualizado em 19/12/2014 - 14h38

Site de descontos cresce ao compartilhar comissão

O Poup faz mais do que reunir ofertas de parceiros: percentual que caberia à startup por intermediar venda de produtos e serviços é dividido com cliente

Carlos Botelho e Guga Gorenstein com Piggy, símbolo da economia proporcionada pelo site
Carlos Botelho e Guga Gorenstein com Piggy, símbolo da economia proporcionada pelo site
Foto: Divulgação

SÃO PAULO - Você já imaginou, ao realizar suas compras, receber de volta parte do valor gasto nelas? Esse é o conceito de cashback, que começa a se difundir no Brasil por meio de sites como o Poup.

Criado pelos sócios Guga Gorenstein e Carlos Botelho em 2012, o site já tem parcerias com mais de cem lojas on-line, entre elas Saraiva, Americanas.com, Colcci, Netshoes, Dafiti e TAM. Funciona assim: o Poup exibe promoções das parceiras e recebe uma comissão por ajudar nas vendas efetuadas por meio do site; depois, divide esse percentual com seus clientes. A startup deposita o valor equivalente à comissão do comprador diretamente na sua conta corrente no banco, ou na sua conta no sistema Paypal, a partir de R$ 30 acumulados.

A ideia de montar uma startup baseada nesse conceito surgiu em 2010, quando Gorenstein estava na Inglaterra para fazer um mestrado. "Percebi que esse tipo de serviço é muito utilizado por lá, e que poderia ser melhor aproveitado no Brasil", diz.

De volta ao País, o empreendedor inscreveu o projeto no Start-Up Brasil, programa de apoio do governo federal a negócios em estágio inicial, ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O Poup foi fundado em novembro de 2012 e, após passar por diferentes fases de aperfeiçoamento, recebeu um aporte de R$ 300 mil da aceleradora de negócios Wayra.

O site, com sede em São Paulo e que hoje conta com cinco funcionários nas áreas de marketing e atendimento, aumentou em 100% seu faturamento a cada trimestre deste ano. A projeção para o ano que vem é manter esse ritmo de crescimento e, se possível, acelerar. O Poup ganha com sua parte da comissão e também com publicidade em seu site. E não tem custos com logística, já que entregar produtos é responsabilidade das parceiras.

Melhorias

Para isso, Gorenstein busca desenvolver melhorias para os clientes. Uma delas é permitir que o acúmulo de dinheiro no site vire desconto em qualquer uma das empresas parceiras. Dessa forma, os clientes terão a possibilidade de "recuperar" seu dinheiro na forma de crédito para novas compras sem ter que esperar o valor ser creditado em suas contas. Isso porque os depósitos são feitos duas vezes ao mês, sempre nos dias 8 e 22. Se o cliente pede o reembolso no dia 8, recebe o dinheiro no dia 22.

A startup criou também o "Poup Alerta", sistema oferecido no site do Poup e que, se ativado, avisa ao usuário, quando este está navegando em algum site parceiro do Poup, que a compra pode ser feita ali mesmo. "Com esse alerta, os clientes não precisam passar necessariamente pelo nosso site para ter o benefício do dinheiro de volta. É só ir diretamente ao site filiado e clicar na imagem da Piggy, uma porquinha que fica na lateral da tela e que vai lhe oferecer a oportunidade de recuperar seu dinheiro", explica Gorenstein.

Para o empreendedor, um diferencial da startup em relação a outros sites que utilizam o conceito de cashback, como Compra&Volta e Méliuz, é o apelo de responsabilidade social obtido com uma recente parceria firmada entre o Poup e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). 

Com o acordo, os usuários do Poup têm a possibilidade de doar o dinheiro que lhe seria devolvido para ajudar, de forma simples, crianças carentes no mundo todo.

A iniciativa é parte da proposta dos sócios para manter o foco em cuidar bem do usuário, resolver problemas com agilidade e oferecer atendimento personalizado.

Cultura do desconto

Para o professor Célio Placer, do Programa de Administração do Varejo (Provar) da Fundação Instituto de Administração (FIA), o Brasil é um país jovem no meio digital. Por isso, diferentemente do que acontece em países como Estados Unidos e China, aqui as startups ainda não contam com o apoio necessário para sobreviver e divulgar o seu trabalho. "Por isso, muitas vezes não ouvimos falar de sites de desconto como o Poup", diz.

Ele calcula que uma campanha publicitária para divulgação de um site desse tipo custaria entre R$ 3 milhões e R$ 4 milhões se utilizasse meios mais tradicionais, como televisão e rádio, além da própria internet.

 

Vinicius Macedo

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