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São Paulo - Software de gestão empresarial tem que ser solução e não motivo para mais dor de cabeça: pode parecer jargão, mas, de acordo com a ContaAzul, que oferece uma versão on-line e "amigável" dos famosos ERPs, é esse o pensamento de boa parte dos que empreendem no País.

"A gente procura nem usar muito o termo ERP [do inglês enterprise resourcing planning], porque sabemos que às vezes ele assusta o cliente", confessa um dos seis sócios da empresa catarinense, Marcelo dos Santos, de 41 anos. O detalhe etário não é fortuito: Santos ostenta com orgulho a condição de funcionário mais "experiente" da empresa. "Temos um, comportamento de startup", afirma ele.

O reflexo do ambiente no produto é claro: disponível no portal da ContaAzul, a plataforma de gestão da empresa dispensa custos de implementação; os módulos ofertados - como o emissor de nota fiscal, e ferramentas para fluxo de caixa ou gestão de estoque - são justamente as mais aderentes entre as PMEs; já a alocação de todo o sistema na nuvem permite preços acessíveis, nunca acima dos R$ 300.

O grande segredo da empresa, entretanto, parece ser outro. "Fazemos parte de uma nova geração de softwares muito baseadas no design", explica Santos. Bem como redes sociais, a plataforma da ContaAzul funciona de forma intuitiva, considerando os hábitos de navegação de seus próprios clientes - o que reduz drasticamente os problemas de adaptação do cliente com a nova ferramenta. "É como Facebook: ninguém precisa fazer curso para usar", compara o executivo. Segundo ele, a mentalidade acaba reduzindo custos dentro da própria ContaAzul: se as fornecedoras de ERP tradicionais precisam de, em média, um funcionário de suporte para o atendimento de cada 100 clientes, neste caso o indicador cai para um profissional para cada 1,5 mil.

Novos negócios

Como publicado pelo DCI no início do mês, mais de 1,2 milhão de brasileiros passaram a trabalhar por conta apenas nos últimos 12 meses. A renda desse grupo, contudo, caiu 5,4% no mesmo período - queda também motivada por fatores como a recessão, mas que também evidencia uma lacuna a ser preenchida: "O empreendedor brasileiro não costuma se preparar para empreender. Ele sabe fazer, mas não sabe gerir", avalia Santos.

Como reflexo, o número de interessados na plataforma da ContaAzul também cresceu: a cada mês, quase 20 mil empresas experimentam o serviço atrás de suporte. Um levantamento da companhia realizado junto a pequenas e médias constatou que 53,1% dos pequenos demitiram em 2015 e que 59,7% recorreram a empréstimos para manter a saúde do fluxo de caixa.

Instabilidade jurídica

O clima de instabilidade jurídica que tira o sono dos novos empresários é outro fator que amplia a procura pelo serviço. Marcelo dos Santos conta que mais de 3 mil empreendedores recorreram à empresa quando as regras de Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para e-commerces foi alterada, onerando o serviço. Posteriormente, empresas inscritas Simples Nacional se livrariam do aumento na alíquota. Mas os percalços fiscais não param por aí: para muitas companhias do estado de São Paulo, o novo desafio será atuar sem a ajuda dos emissores gratuitos de Conhecimento de Transporte Eletrônico (CT-e) e de Nota Fiscal Eletrônica (NF-e), até então oferecidos pela Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (SEFAZ-SP), mas que serão descontinuados a partir de 2017. Na esteira do anúncio, a ContaAzul espera turbinar sua ferramenta de emissão de nota em um clique.

Para tal, a empresa deve apostar na relação com contadores: atualmente há uma lista de quase 5 mil profissionais interessados na plataforma. "Os contadores que tem clientes ContaAzul podem utilizá-la de graça, já que são eles os verdadeiros confidentes da pequena empresa", conta Santos, mostrando que, apesar de toda a modernidade, coisas como a política da boa vizinhança continuam valendo a pena.